Jornal Opção: Cláudio Meirelles diz que Caiado sofrerá novas derrotas na Assembleia

O deputado estadual Cláudio Meirelles, do PTC, é um dos políticos mais aguerridos e articulados da Assembleia Legislativa de Goiás. Ele é visto como não tendo receio de criticar os poderosos — mesmo se aliados. Na sexta-feira, 5, manteve uma conversa com o Jornal Opção. O tom é de desabafo.

“O governador Ronaldo Caiado (DEM) está me colocando na oposição. Não sei por quais motivos — é provável que levaram alguma fofoca, que o deixou ‘envenenado’. Logo eu que foi eleito na base dele — rompendo com os ex-governadores Marconi Perillo e José Eliton, do PSDB. O que posso dizer é que o Caiado da campanha não é o mesmo do governo; ele mudou muito. Esclareço que não fico pedindo cargos. Aliás, não tenho cargo no governo. Mas há deputados, que inclusive se intitulam ‘oposicionistas’, que pediram e conseguiram cargos”, frisa Cláudio Meirelles. O repórter interrompe e pergunta: “Quais deputados?” “Não vou falar”, diz, peremptório. Mas indicou um deputado que queria falar, e falou, mas exigiu off. A fala do deputado (não de Cláudio Meirelles): “O deputado estadual Humberto Aidar, que era do PT e agora é do MDB, conseguiu alguns cargos (até uma diretoria) e seus aliados já foram nomeados. O deputado estadual Virmondes Cruvinel obteve alguns cargos, e inclusive conseguiu nomear a mãe, a médica Rose Cruvinel, para o cargo de chefia de gabinete na Emater. Paulo Cezar Martins, que se diz ligado a Daniel Vilela, pediu e levou uma diretoria administrativa da Agehab. Jozué Gouveia também obteve uma diretoria”.

Retomando a conversa com Cláudio Meirelles, o repórter insiste: “Mas você não tem nenhum cargo no governo? Zero mesmo?” O parlamentar confirma: “Nenhum. Mas não vou morrer por isso, não. Na verdade, eu só quero respeito, não quero nada do governo. Eu disse isto ao secretário de Governo, Ernesto Roller. O que ganhei em apoiar Caiado? Insisto: nada”.

Um auxiliar de Ronaldo Caiado disse ao Jornal Opção: “Cláudio Meirelles se comporta como santo, faz pressões por cargos e jogou contra o governo durante a disputa para presidente da Assembleia Legislativa. Ele ‘traiu’ o governo e articulou a candidatura de Lissauer Vieira. Ele articula as oposições e esconde a mão”. O deputado apresenta uma versão ligeiramente diferente: “De fato, não apoiei o candidato de Ronaldo Caiado para presidente da Assembleia Legislativa [Álvaro Guimarães]. Por que? Ora, não fui procurado por Ronaldo Caiado nem por Álvaro Guimarães. Apoiei aquele que manteve contato comigo” (Lissauer Vieira, o presidente eleito).

Cláudio Meirelles postula que, como deputado, será um “fiscal do governo de Ronaldo Caiado. Nada tenho a perder”. Depois, pergunta: “O governador dará o quê aos deputados? Não dará nada, não exatamente por má vontade, e sim porque não tem condições de oferecer praticamente nada. Para discutir a questão dos incentivos fiscais, o orçamento impositivo e a Previdência em Goiás, Caiado vai contar com quem? Ele acredita que tem maioria na Assembleia e terá uma surpresa nas próximas votações”.  O parlamentar acrescenta: “Eu ganho todas as eleições, nunca perdi nenhuma, e sem a ajuda dos poderes. Portanto, se Caiado me chamar para conversar, tudo bem; se não, amém”.

Especificamente quanto ao orçamento impositivo, na opinião de Cláudio Meirelles, “Caiado não terá maioria para derrubá-lo. Não tem 26 deputados, ao contrário do que acredita, iludido não se sabe por quem, como foi iludido durante a disputa para presidente do Legislativo. Até quinta-feira desta semana, ou então na outra semana, veremos os fatos”.

Perguntado se ainda pretende ir para o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), como conselheiro, Cláudio Meirelles não tergiversou: “Na campanha, que fiz com meus recursos, só pedi uma coisa para Ronaldo Caiado: uma vaga de conselheiro no TCM. Ele se comprometeu a me indicar para o tribunal, mas possivelmente, como está me mantendo afastado, não deve cumprir aquilo que foi acertado”. O deputado afirma que o conselheiro Nilo Resende terá o direito de se aposentar em maio deste ano. “Mas não sei se irá se aposentar. Se se aposentar agora, no próximo mês, escapa das novas regras da Previdência.” Ele pretende disputar a Prefeitura de Quirinópolis? “Não sei.” (Texto do Jornal Opção)