sexta-feira , 6 março 2026
Opinião

Quais são as chances do governo Caiado reverter a liminar do ministro Alexandre de Moraes, que barrou as obras sem licitação em Goiás financiadas pela taxa do Agro?

• Risco institucional

A resposta, segundo juristas ouvidos, é simples: nenhuma. Se o Supremo Tribunal Federal (STF) validasse a lei goiana, estaria institucionalizando um novo modelo de contratação pública sem licitação, sem fiscalização e sem controle.

Seria um golpe contra a Constituição e contra o próprio Estado de Direito. Com licitação, já é difícil garantir transparência; sem ela, seria abrir as portas para o caos e para o crime.

• “Rolinfra”

O governo Caiado tenta sustentar que o sistema é apenas uma “parceria institucional” para driblar a burocracia.

Mas o modelo apelidado de “rolinfra”, executado pela organização social IFAG, concentra R$ 3 bilhões nas mãos de um grupo político.

O presidente da entidade, Armando Leite Hollenberg, é aliado do governador e ex-servidor de sua gestão — ou seja, uma carta marcada.

• Sem estrutura

O projeto surgiu justamente quando o vice-governador Daniel Vilela se apresenta como pré-candidato à sucessão de Caiado.

O IFAG, sem estrutura financeira comprovada, solicitou na Assembleia Legislativa antecipação de R$ 1 milhão da Assembleia Legislativa para comprar móveis e equipamentos.

Isso mostra a fragilidade e o improviso de um esquema que pretende gerir bilhões de reais da taxa do Agro.

• Retrocesso

Permitir isso seria retroceder a 1930 — às obras feitas “no olhômetro”, sem regras, contratos ou garantias.

A licitação, embora morosa, é o único instrumento que assegura o melhor preço, qualidade e responsabilidade. Substituí-la por indicações políticas é autorizar o desvio e o compadrio com selo oficial.

• Aviso claro

Para o jurista ouvido pelo G24H, se o STF voltasse atrás na liminar, seria uma derrota para todo o sistema de controle público.

A decisão de Alexandre de Moraes não foi apenas um freio em Caiado, mas um aviso claro: o Brasil não aceitará a institucionalização da ilegalidade.

Cristiano Silva
Editor

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