Rejeição de denúncia do MPF sobre Decantação traz à tona suicídio de acusado, que não viveu para ver Justiça

A decisão da Justiça Federal de rejeitar a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) sobre a Operação Decantação fez o mundo político e jornalistas lembrarem do caso do suicídio do engenheiro civil da Saneago Claudinor Francisco Guimarães Filho, de 53 anos.

Claudinor foi alvo de um dos mandados de condução coercitiva para depoimento e busca domiciliar pela Polícia Federal no âmbito das investigações. Segundo familiares, o episódio arruinou a vida do engenheiro: ele entrou em depressão, se separou da esposa e acabou se enforcando em uma árvore do parque do Jardim Botânico, em Goiânia.

Hoje, a 11.ª Vara de Goiânia rejeitou a denúncia apresentada pelo MPF. Em sua decisão, o juiz Rafael Ângelo Slomp determinou a imediata devolução dos bens apreendidos dos denunciados. No texto, o magistrado não apenas rejeita, mas destroça a denúncia, afirmando que ela é “inepta”, “não expõe o fato criminoso” e “parte do pressuposto de criminalização da atividade política”.

Claudinor era um dos 38 acusados. A decisão do magistrado devolve os bens dos acusados, mas não devolve a vida de Claudinor à sua família. Quem e como essa conta será paga?