Denúncia grave: Caiado cria estrutura de redes sociais no governo para fazer promoção pessoal

Na edição desta quinta-feira, o jornal O Hoje faz denúncia grave: com a reforma administrativa sancionada ontem, Caiado criou estrutura de redes sociais no governo para fazer promoção pessoal. Veja o texto do repórter  Raphael Bezerra: “O Governo de Goiás apresentou, nesta quarta-feira (26), a segunda parte da reforma administrativa. O documento publicado no Diário Oficial do Estado prevê algumas medidas, inclusive a redução de 20% da máquina pública e uma economia de R$ 422 milhões ao longo dos quatro anos de mandato. Outra alteração, a criação de uma Superintendência de Mídias Digitais e Publicidade e a Gerência de Redes do Governo e do Governador, pode esbarrar no Princípio da Impessoalidade e da Publicidade. O cientista político e professor da Universidade Federal de Goiás (UFG), Robert Bonifácio, explica que a criação destas secretarias pode ir contra ao estabelecido no art. 37 da Constituição Federal Brasileira de 1988, que norteia os princípios da Administração Pública. Para Bonifácio, as mudanças na forma de comunicação é um fator determinante para a implementação dessas duas estruturas de governo. Ele explica que as novas mídias digitais já vêm sendo utilizadas de forma contundente pelos governantes, mas que deve haver um cuidado quanto a impessoalidade no tratamento das informações. “O [presidente da República, Jair] Bolsonaro utiliza as suas redes para discutir pautas, divulgar suas ações e opiniões, no entanto, ele utiliza esses métodos nas suas próprias redes sociais” – que não são alimentadas exclusivamente pela estrutura do Governo Federal. O advogado Dyogo Crosara possui a mesma interpretação e pondera que será necessário avaliar a forma de trabalho da pasta antes de criar valor sobre crime. “É preciso separar as contas públicas da privada. Se a Gerência for utilizada apenas para divulgar as ações do Estado nas contas oficiais do governo e do governador, não há problema algum. No entanto, se os servidores alimentarem os perfis pessoais do governador [com informações que dão publicidade ao político], isso pode incorrer em improbidade administrativa. Somente a criação da Gerência não é possível saber se é errado”, esmiuça. Questionado pela reportagem, o chefe de gabinete da Secretaria de Estado da Comunicação, Raphael Borges, afirmou que até agora, o próprio governador realiza a manutenção de suas redes pessoais. E que a mudança estabelecida na reforma prevê a criação de um novo perfil público para o governador, totalmente voltado para divulgação das pautas institucionais. Em contato anterior, Borges havia informado que “foi feito um aproveitamento das redes [de Ronaldo Caiado” e chegou a considerar que o nome dado à repartição talvez tenha sido infeliz, mas que a redação foi escolhida por causa do acompanhamento da equipe. “É uma rede só, construída em uma só”, assegurou