Em artigo, doutora em História Social diz que governo Caiado se revela contra a Educação

Em artigo publicado neste sábado no jornal O Hoje, Mariana Lopes, doutora em História Social, coordenadora de Mulheres da Fasubra Sindical e Técnica-Administrativa da UFG ,diz que governo Caiado se revela contra a Educação. Ela enumera as ações caiadistas para promover o desmonte do setor. Veja a íntegra do texto:
  Em Goiás, Governo se revela contra Educação
Mariana Lopes
A alegada crise financeira no estado de Goiás continua e os cortes não param e, mais uma vez, a Educação está ameaçada. O governador Ronaldo Caiado lançou uma proposta de Emenda Constitucional Estadual que corta verbas da educação, semelhante a que Temer fez em 2016, quando congelou recursos da Educação e Saúde por 20 anos. Na época, trabalhadores da educação fizeram greve e estudantes ocuparam universidades e escolas em protesto contra a então PEC241, depois transformada em PEC55 quando foi para o Senado. Em Goiânia, tais movimentações foram particularmente emblemáticas, pois ocasionaram na morte do jovem Guilherme Irish, que foi assassinado pelo próprio pai que não concordava com sua atuação militante nas ocupações da UFG. Mas o alvo agora pode ser a Universidade Estadual de Goiás, que já passa por variados problemas há alguns anos e que, inclusive, esteve em greve no começo deste ano por salários não pagos. A proposta de Caiado de reduzir repasses à Educação vem sendo encarada com temor por trabalhadores, egressos e estudantes da UEG, já que deve ser a mais afetada caso a PEC seja aprovada pela Assembleia Legislativa. No texto apresentado pelo Governo fica prevista a redução dos atuais 27% para 25%. A diferença está diretamente ligada aos 2% antes exclusivos para a Universidade Estadual, que pode sofrer com essa medida. O texto da emenda estabelece a aplicação deste recurso tanto para os níveis fundamental e médio da educação básica quanto para os ensinos profissional e superior, exceto a área de Ciência e Tecnologia. Ou seja, em consonância com o governo federal, Caiado também parece não querer investir em cursos “para pensar”. Essas propostas, na prática, inviabilizam o Plano Nacional de Educação (PNE), um documento que rege a educação no país e determina diretrizes, metas e estratégias para a política educacional até 2024. Portanto, ignorar este documento é um erro, pois o governo estará de fato atrapalhando as perspectivas de crescimento para a educação através dessas medidas de redução. A Educação no país precisa de mais recursos e não de sufocar o orçamento da reitoria e das unidades, obrigando a própria direção e fazer a redução da estrutura. É preciso levar o PNE a sério e encará-lo como uma política de Estado e não sujeita-lo aos ditames de governos. Há anos os estudantes reivindicam melhorias na infraestrutura dos campi da UEG. Faltam equipamentos e laboratórios, faltam restaurantes universitários, transporte público direto e melhores condições de trabalho na instituição. A c o m u n i d a d e acadêmica precisa se mobilizar urgente, porque o Caiado parece empenhado pelo desmonte deste patrimônio goiano.