A vertiginosa ascensão, repentina glória, apogeu e inesperada queda da primeira-dama Gracinha, a breve

Na história de Goiás, nunca houve uma primeira-dama tão trepidante, estridente e desastrada como Gracinha Caiado. Em rápidos oito meses de Poder total, ela escreveu uma história que daria material de sobra para uma novela mexicana.
Até a campanha de Caiado, ninguém no estado havia ouvido falar de Gracinha. Apenas que era uma fazendeira rica da Bahia, que se relacionou com Caiado durante os tempos de brilho da UDR.
Ela foi figura apagada durante os mais de 30 anos de mandato parlamentar do marido. Não se tem notícia de trabalho social ou político dela nesse longo período. Ele só veio mesmo a aparecer com maior frequência ao lado de Caiado na campanha de governador do ano passado. Mesmo assim, em papel de coadjuvante.
A transformação ocorreu depois que o casal ascendeu ao governo. De repente, Gracinha não se contentou mais em ser apenas primeira-dama e cuidar da OVG e de alguns programas sociais. Ela quis o protagonismo total e não se fez de rogada.
Em pouco tempo, a população foi submetida à uma overdose da baiana, que começou a aparecer à frente da administração, comandando reuniões no palácio, sentando-se na cadeira do governador, dando ordens a secretários, tomando frente em articulações políticas com deputados e, principalmente, chefiando as ações de perseguição política a adversários e servidores, em especial os comissionados.
Gracinha chega ao apogeu quando ganhou duas páginas e generosa chamada de capa de O Popular, em entrevista em que se autointitulou Leoa e deu todas as pistas de que ela mandava e desmandava no governo Caiado. Ela foi também tema de ampla reportagem na TV Record.
Fez viagens, lançou programas, deu pitacos em tudo e, acima de tudo, inundou as redes sociais de fotos e vídeos dos showzinhos que encenava todos os dias.
Era a glória total da baiana toda-poderosa de Goiás: Gracinha passou a ser chamada de governadora e era mais temida do que o próprio Caiado. Intrépida e deslumbrada, com uma grande dose de despreparo e turvação, ela não deu bola às críticas e continuou firme e decidida a manter o estrelato, o poder e a autoridade.
Exagerou no descomedimento. Deixou-se fotografar descendo de uma aeronave pertencente ao tráfico e apreendida pela polícia goiana, em mais um dos espetáculos que gosta de protagonizar. Começava a queda. As críticas dentro e fora do governo aumentaram.Auxiliares do governo conspiravam conta ela. Deputados apontaram usurpação de poder. Arrogante e vaidosa, ela não deu o braço a torcer. Mas a situação estava insustentável.
Com a autoridade arranhada pelos arroubos da mulher e com o perigo de ser acionado na Justiça, Caiado se viu na obrigação de agir. Consultou advogados amigos e o procurador-geral de Justiça sobre a questão da usurpação de funções públicas.
Não restou ao governador outra alternativa senão comunicar à primeira-dama que ela deveria se conter e se afastar do governo, atendo-se somente às atividades da OVG. Enfurecida, a Leoa reagiu e teve uma áspera discussão com Caiado, conforme testemunham servidores do Palácio das Esmeraldas.
Era o fim do reinado de Gracinha, a breve. Sentindo-se desmoralizada pelo governador, ela se refugiou em São Paulo e promete não voltar a Goiás mais. Governo, então, nem de longe.
Em poucas palavras, porque esse dramalhão mexicano daria muito mais capítulos, essa é a história da ascensão, glória, apogeu e queda da primeira-drama que quis usurpar o cargo de governador do Estado.