Em entrevista, Lúcio Flávio fica em cima do muro com medo de contrariar Caiado, que nomeou seu irmão

Em entrevista ao Jornal Opção, o presidente da OAB Goiás, Lúcio Flávio de Paiva, rebolou mais que as dançarinas do É o Tchan para não contrariar o governador Ronaldo Caiado (DEM). Provocado a comentar o projeto do poder Executivo que autoriza Caiado a meter a mão em dinheiro de depósitos judiciais (o que o STF já julgou ilegal), Lúcio vai e volta cem vezes antes de dizer que… a OAB não tem uma posição, num gesto de covardia que não cabe a um representante classista. Vale lembrar que Caiado nomeou o irmão de Lúcio Flávio, Luiz Antônio Siqueira de Paiva, na Superintendência da Juventude da Secretaria de Governo.

Veja pergunta e resposta da entrevista:

Rodrigo Hirose – O governo do Estado pretende ter acesso aos recursos de depósitos judiciais, coisa da ordem de R$ 1,8 bilhão. Qual a posição da OAB sobre o assunto?

A OAB não tem uma posição, porque para ter uma posição formal sobre a questão é preciso leva-la ao conselho. Para que ela seja levada ao conselho, é preciso que tenhamos ao menos uma noção de como a lei vai ser aprovada, como o Tribunal de Justiça, via convênio com o governo do Estado, pretende implementar a transferência de recursos, para quando o Estado acena com a possibilidade de devolução, e, à luz das leis e da Constituição, se isso é legal e constitucional.

A Ordem não tem uma posição formada, isso só ocorrerá após a apreciação do pleno. Mas posso antecipar que é uma medida que preocupa e que a Ordem está acompanhando muito atentamente o tramitar na Assembleia [Legislativa]. Tão logo tenhamos um resultado final, vamos nos debruçar sobre esse tema.