Herança de Braga continua viva na agenda política do Estado: o debate fiscal

Goste-se ou não de Jorcelino Braga, diga-se os horrores que comumente são ditos sobre ele, mas um fato é incontestável: Braga venceu.

Essa conclusão pode surpreender quem imagina que o ex-secretário da Fazenda, que mandava e desmandava no Governo Alcides, e acabou na rua da amargura, duplamente derrotado nas eleições de 2010 (primeiro, com Vanderlan Cardoso; e, no segundo turno, com Iris Rezende), não passava de mais um perdedor na longa lista de adversários vencidos pelo governador Marconi Perillo.

Não, Braga conseguiu uma vitória que poucos percebem, mas que todos podem testemunhar com facilidade. A vitória de Braga foi a de impor a questão fiscal na agenda do atual Governo, que, até hoje, mais de dois anos depois de iniciado, não conseguiu se libertar da herança braguiana e continua envolvido em um debate que não existe em nenhum outro Estado brasileiro – falando sem parar em corte de despesas, demissão de funcionários públicos, déficit e superávit, ajuste fiscal e medidas de suposta racionalização da máquina pública.

Foi Braga quem inventou esse assunto em Goiás. Ao assumir a Secretaria da Fazenda, ele passou a atacar sistematicamente o governo anterior (de Marconi) como responsável por um déficit monumental e a dizer que esse déficit tinha inviabilizado a administração de Alcides Rodrigues. A discussão fiscal começou aí e nunca mais deixou o primeiro plano do noticiário político estadual, sobrepondo-se até mesmo aos grandes projetos para o desenvolvimento regional.

Pois é, Braga venceu. Embora hoje reduzido a uma insignificante presidência de um partido nanico e a surtos de raiva no Twitter, o ex-secretário da Fazenda continua vivo no cada vez mais eterno e infrutífero disse-que-me-disse sobre a situação orçamentária e financeira do Governo de Goiás.