Thiago Salvático, companheiro de Gugu Liberato, fala pela 1ª vez

Metrópoles – O colunista Leo Dias começou a semana quente no programa Os Cabeças da Notícia, na Rádio Metrópoles 104,1 FM. Na edição desta segunda-feira (11), ele trouxe a primeira entrevista de Thiago Salvático, suposto companheiro de Gugu Liberato.

Thiago ganhou os holofotes pouco depois da morte do apresentador, em novembro de 2019. Lutando na Justiça para conseguir o reconhecimento da união estável — ele afirma que o relacionamento entre os dois durou sete anos —, Thiago falou com o jornalista sobre o relacionamento, o luto que vive e quem era Gugu Liberato fora das câmeras. Confira a entrevista:

Enquanto a Rose Miriam e a família de Gugu Liberato já se enfrentavam na TV, por que você demorou para entrar nessa briga e se manifestar?

Thiago – Leo, não acho que tenha demorado. Eu precisei primeiro respeitar o meu luto. Foi muito difícil dar prosseguimento à minha vida depois do dia 21 de novembro. Alternava dias normais com dias muito ruins. Logo após o falecimento do Gugu, a minha irmã e meu cunhado vieram morar aqui na Alemanha para me dar suporte emocional e me ajudar a dar continuidade no meu trabalho e negócios. Sou muito grato pelo apoio e carinho que recebi e ainda recebo deles. Os meus advogados me pediram para escrever em detalhes a minha história com o Gugu (do primeiro ao último dia). Tinha momentos nos quais eu não conseguia escrever por lembrar de tudo que passamos juntos. O vazamento da petição inicial da ação (com quebra do segredo de justiça) à imprensa expõe a minha intimidade. Sou julgado por pessoas que não me conhecem e nada sabem da minha história com o Gugu. Sou obrigado agora a me manifestar e a expor a minha versão dos fatos. Os meus advogados já estão tomando as providências para proteção dos meus direitos.

Você mora na Alemanha e Gugu morava no Brasil. Como conseguiram manter o relacionamento durante todos esses anos?

Thiago – Quando conheci o Gugu em 2011, eu morava na Itália. Mudei definitivamente para a Alemanha em 2014. Apesar da distância, nós sempre mantivemos um relacionamento muito sólido e próximo. Eu viajei muito ao Brasil durante esse período para nos encontrarmos. Ele também me visitava na Alemanha. E realizamos diversas viagens juntos no Brasil e pelo mundo. Não medíamos esforços para nos encontrarmos. As pessoas estranham e perguntam: como é possível manter um relacionamento à distância? Mas para mim isso apenas mostra a força do nosso relacionamento. E também é preciso entender a dinâmica de vida do Gugu. Ele se dedicava à mãe e irmãos, filhos em Orlando e a mim. Quando estava envolvido em gravações, tinha pouco tempo livre.

Gugu, em vida, não assumiu publicamente a homossexualidade. De que forma isso interferiu no relacionamento mantido por vocês?

Thiago – Esse tema é muito sensível, Leo. As razões que levaram o Gugu a preservar a intimidade e privacidade estão muito bem explicadas na ação. O local apropriado para essa discussão é a Justiça. Quanto ao nosso relacionamento, desde o início ele deixou claro que deveríamos nos preservar. O que não significa dizer que vivíamos de forma secreta ou escondida. Muito pelo contrário. As pessoas mais próximas ao Gugu (exceção dos filhos e da mãe) me conheciam (Gugu era muito reservado). Viajávamos juntos, ficávamos no mesmo quarto, fazíamos as refeições e os passeios juntos. No Brasil eu também andava ao lado dele e frequentava todas as residências na condição de companheiro. Mas essa decisão de preservar a intimidade o impedia de abordar esse assunto livremente junto aos filhos, irmão, mãe, fãs e imprensa.

Você entrou com ação para provar que era companheiro de Gugu Liberato. Em testamento, Gugu Liberato deixou 75% da herança aos filhos e 25% aos sobrinhos. Como você interpreta o fato de não ter sido incluído no testamento?

Thiago – Quando o Gugu fez o testamento em 2011 ele não me conhecia. Existe ai uma questão jurídica para advogados e para o Juiz, mas o fato de eu não constar no testamento de 2011 não retira a minha condição de herdeiro, como companheiro. Eu sei o papel e importância que tive na vida do Gugu. O nosso relacionamento só terminou em razão do falecimento dele. A minha pretensão é legítima. Eu tenho a obrigação de defender a nossa relação e a VERDADE. Apresentei muitos documentos na ação. Também juntei parecer jurídico (para os temas de direito) elaborado pela Dra. Maria Berenice Dias, uma das maiores autoridades em direito homoafetivo no Brasil. Confio que a Justiça reconhecerá a união estável que mantive com Gugu.

Gugu era feliz?

Thiago – Como todo ser humano, ele tinha momentos de alegria e tristeza. O Gugu, que eu conheci na intimidade, era uma pessoa diferente do apresentador. Na TV ele mantinha uma energia incrível e contagiava a todos com muita alegria. Eu brincava com ele: você não é o mesmo cara da TV. Ele sempre ria do meu comentário. Na intimidade ele era divertido e carinhoso, mas, em muitos momentos, ficava sério, reflexivo e preocupado (com a performance do programa, audiência, patrocinadores, renovação de contratos, o que inovar, negócios, produtora, criação e educação dos filhos, saúde da mãe, etc). A necessidade de preservação da intimidade e privacidade também contribuía para momentos de angústia e tristeza. Conversávamos muito sobre isso. Quando estávamos juntos posso declarar com muita tranquilidade e segurança que ele era muito feliz.

Como você definiria Gugu Liberato?

Thiago – A lembrança que guardo do Gugu é a de uma pessoa correta, divertida, educada, gentil e carinhosa. Ele era antes de tudo um gentleman. Era reservado, desconfiado (com quem ele não conhecia bem) e tinha poucos amigos. Era muito inteligente e workaholic. Um filho que fez de tudo pelos pais e um pai apaixonado pelos filhos. Curioso por novidades, ele adorava conhecer novos lugares e culturas diferentes. Um companheiro que transmitia muito amor e que contribuía para o meu crescimento pessoal. Era muito observador e por isso sabia agradar as pessoas ao seu redor. Era simples na essência e não ficou deslumbrado pelo sucesso que conquistou.