Poder360: ‘Sergio Moro está lambuzado pelo poder atual’, diz FHC

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o FHC, afirmou em entrevista nesta 4ª feira ao Poder360 que o ex-ministro Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública) não tem força política para agregar e abrir 1 novo caminho democrático para o Brasil nas eleições de 2022.

“Sergio Moro está lambuzado pelo poder atual. Fez 1 trabalho bom em Curitiba, enfrentou a corrupção. Talvez até tenha demorado muito para sair do governo”,disse.

FHC foi presidente da República por 2 mandatos (1995-2002), eleito pelo PSDB. Aos 88 anos, ele é sociólogo e professor emérito da USP (Universidade de São Paulo).

Assista à entrevista completa abaixo (44min25seg):

 

 

Para o tucano, é preciso reconstruir as bases institucionais, econômicas, sociais e políticas do país para o próximo pleito presidencial, em 2022.

“Eu não sei se a pessoa que terá condições de assumir a Presidência será do PT, mas eu vou apoiar quem for capaz de agregar e sair dessa crise abrindo caminho. O Doria [governador de São Paulo] tem tomado posições adequadas. Será ele capaz de unir? Não estou pressupondo isso, mas se for o Doria, ele terá o meu voto”, ressaltou.

O ex-presidente diz que 1 possível processo de impeachment do presidente Jair Bolsonaro neste momento seria uma medida na contramão de 1 regime democrático.

“É melhor atravessar essa temporada ruim até termos uma nova eleição e alguém se eleger com legitimidade. Eu não votei nele [Bolsonaro], mas ele foi eleito. Acho uma violência e só em último caso se lança mão [do impeachment]”, falou.

Acrescentou que é preciso que o presidente Bolsonaro tenha 1 comportamento à altura do que exige o cargo para reconquistar o apoio da população.

“Exercer o poder no Brasil sem apoio, consentimento, é muito difícil. Ele pode perder o apoio eleitoral, mas não o respeito. Aqui acontece 1 fenômeno duplo: perda de apoio e também as pessoas começam a tomar muito ao pé da letra as coisas que ele diz, estão sentindo que as coisas podem ir para 1 lado não democrático.”

A respeito dos ministros militares, ele diz que é preciso que os papéis exercidos estejam bem definidos. “As Forças Armadas devem seguir ao Estado, e não ao governo.”