EXCLUSIVO Artigo: Carlos Cachoeira responde deputado sobre shopping no Daia

Flagrante neles
 
Humberto Teófilo é um aventureiro na política.

Se seguir os passos do pai, um ex-político ladrão de dinheiro público com várias condenações em duas instâncias, seu destino é a cadeia. A lista de crimes cometidos por Amarildo Pereira é longa. Vai desde o desvio de R$ 7 milhões do INSS, até rolos mequetrefes na antiga Comob – Companhia de Obras do Município – quando precisou devolver R$ 57 mil à autarquia.

Pelo conjunto da obra da vida deste tungador, chegou a ter o mandato cassado na Câmara Municipal.
O fato é que precisei tomar conhecimento da existência deste dublê de político e seu pai porque fui por ele citado indiretamente, uma vez que Teófilo achou por bem fazer uma “denúncia” envolvendo meu nome. Com esforço recordei que já fui procurado por este tomador de dinheiro público, que visitou meu escritório atrás de dinheiro para a campanha do filho.

O deputado Humberto Teófilo, com sua oratória infantil, recheada de jargões que parecem saídos de um filme policial ruim, encontrou problema em uma negociação comercial cotidiana entre a empresa do meu filho e o Estado de Goiás.

Ainda que tudo esteja com a documentação correta, explicitada e transparente, Teófilo usou o meu nome para tentar criminalizar um arrojado projeto comercial, que visa o desenvolvimento econômico de Anápolis e região.
Até mesmo a jornalista que fez da “denúncia” numa longa reportagem ao jornal O Popular confessou que não há qualquer crime. Ou seja: uma reportagem feita para criar intriga. É a fofoca a serviço do jornalismo nas páginas de O Popular.

Teófilo quis me usar para fazer política. De lambe-botas do Governo Caiado, passou a ser crítico, tentando evidenciar uma suposta independência. E achou por bem me usar como escada para seus míseros cinco minutos de fama.

E aqui abro um parêntese para uma reflexão: eu já enfrentei embates com ex-governadores, estive diante de senadores, ex-presidentes, denunciei crimes e esquemas envolvendo poderosos ministros de Estado. E penso comigo, onde eu fui parar: ter de descobrir a existência biltre e o estilo limitado e mesquinho de um deputado cuja carreira deve ser mais fugaz que a do pai.

Mas em defesa de um filho, vamos até as fossas mais lamacentas da sociedade e da política. E, por isto, cá estou.
Ao fazer a difamação para tentar se promover, me obrigou a descobri-lo e, ainda pior, que eu me debruçasse sobre a trajetória dele. Seu pai, ex-vereador, é um quadrilheiro e tomador de dinheiro público condenado há anos e anos de cadeia. Cinco em um, onze anos em outro… enfim, a lista é longa.

Agora, deverá ser instado a devolver mais de R$ 1,8 milhão ao erário.

Todo este dinheiro tomado na ilegalidade, observando o tempo de seus rolos com a formação do filho, pode ter sido usado para pagar as mensalidades da faculdade particular do então aspirante a advogado Humberto Teófilo.
Usando a regra semelhante deste deputado pequeno e oportunista, que tentou atribuir ao meu filho o peso das responsabilidades que são minhas, e que só eu devo responder, é possível afirmar que a trajetória dele como bacharel, e depois delegado (que passou por cursos preparatórios particulares financiados pelo dinheiro do pai) foi bancada com dinheiro de roubo do INSS e outras tungagens.

Portanto, Humberto Teófilo é potencialmente o filho da fraude, foi embalado em peculato e sustentado por um quadrilheiro.

Sendo ele o filho de um ladrão reiteradas vezes condenado, será que o deputado também se considera um?
Teófilo tentou se postar como um defensor do Estado de Goiás, como ele gosta de se intitular. Sua “mexida” no tabuleiro tem a fineza de um mamute e pode ter causado um prejuízo de milhões de reais para as receitas de Anápolis e Goiás. Gerar emprego, renda e desenvolvimento não é a característica desta trupe que, apesar de envolvida em cifras milionárias, nunca gerou um emprego a ninguém. Não passam de saqueadores e, agora, o deputado, com sua imaturidade, pode ter comprometido o projeto comercial em desenvolvimento.

Esta é a contribuição deste tipo de gente para o povo de Goiás. Este é o legado de sua família: saquear os cofres públicos de alguma maneira.

Não é a primeira vez, fico sabendo, que o deputado apronta meninices. Ao chegar na Assembleia Legislativa, gravou vídeos falando de outros parlamentares e dos debates que eram tratados sobre a verba indenizatória destinada a cada gabinete. Ao final, disse seu bordão, coisa que os bufões e os adeptos da comédia pastelão têm, e sinalizou dizendo “flagrante neles”.

No dia seguinte, ouviu calado discursos públicos sobre sua atitude de tratar seus pares como os bandidos que está acostumado a lidar. Afinal, quem leva flagrante são os meliantes. Em determinado momento, foi questionado se ele também devolvia os penduricalhos como auxílio moradia que recebia quando era delegado. Não, ele não devolveu, mesmo tendo residência própria.

Por fim, precisou se desculpar e culpou a inexperiência.

Agora, no entanto, o jogo é outro e eu não tenho qualquer intenção da passar a mão na cabeça deste protótipo de político. Como cidadão, quero saber de onde veio o dinheiro usado em sua formação e na sua campanha eleitoral, tendo em vista que o pai está neste rolo milionário, flertando com as grades.

Quero saber, entre outras dúvidas que pretendo sanar, o porquê de Amarildo Pereira ter entrado na Procuradoria do Município de Goiânia num verdadeiro Trem da Alegria, sem a realização de qualquer concurso público, com direito a incorporar o salário de vereador junto com o da nova função.

Vamos além: como é possível ele ainda manter seu emprego como servidor da Prefeitura de Goiânia, depois de tantas confusões, rolos e condenações?

É manter a raposa como vigia do galinheiro.

É imperativo investigar as entranhas financeiras deste oportunista, um moralista farsante que, se decente fosse, gritaria em casa, olhando nos olhos do pai um sonoro “Flagrante Nele!”.

É hora de descobrir se o “flagrante” não está também com o tal Teófilo e seu pai ladrão.

A saber.

Carlos Cachoeira