FHC prevê fracasso do governo, mas defende permanência de Bolsonaro no Planalto, desde que de boca fechada

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso publicou um confuso artigo neste domingo, chamado Tempos confusos, em que defende apenas que Jair Bolsonaro se cale, e não que seja afastado, embora preveja seu insucesso.

“Tempos confusos os que temos vivido. A tal ponto que estranhamos o que ocorreu no meio da semana: chamou a atenção o fato de o governo não haver arranjado nenhuma confusão nova. Isso depois de, sem dar-se ao luxo de explicar melhor ao país as razões, o presidente haver dispensado vários ministros nas pastas de Educação e Saúde. Pelo menos até a última sexta-feira, quando escrevo este artigo, não demitiu ninguém ou ninguém se sentiu na obrigação de abandonar o Ministério”, escreveu FHC. “É assim que vai andando o atual governo, meio de lado.”

Diz ainda FHC que “o mau gerenciamento das crises e da política é o que caracteriza o vaivém do governo Bolsonaro.” Ele afirma que “o governo federal desconsiderou os riscos da situação epidêmica no início, e, depois, passou o bastão às autoridades locais.” FHC também lamenta que “em tão pouco tempo o governo haja substituído dois ministros na pasta da Educação e que o país ainda não saiba quem será o próximo ministro.”

“Governo que não tem rumo nas principais áreas sociais dificilmente encontrará a lanterna mágica para levar-nos a bom porto. Não são apenas pessoas mal escolhidas. É a falta de projetos, de esperança, o que nos sufoca”, adverte ainda FHC. No entanto, como todos sabem, FHC é a favor da permanência de Bolsonaro no cargo. Seu único pedido é que ele se cale.

“Em nossa cultura e em nosso regime, já de si personalistas, com mais forte razão os líderes exercem um papel simbólico, falam pela comunidade. O líder maior é sempre o presidente, pelo menos enquanto continuar lá. Por isso é tão importante: se não souber falar, se tiver dúvidas, que o presidente se cale. Como nesta semana. Melhor, contudo, é que se emende e fale coisas sensatas, que cheguem ao coração e façam sentido na cabeça das pessoas razoáveis”, finaliza FHC. (Brasil247)