100 mil mortes por covid: Bolsonaro exalta cloroquina e ataca Rede Globo

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido), publicou, neste domingo (9/8), o print de uma reportagem do tabloide britânico Daily Mail nas redes sociais onde aponta que o isolamento no Reino Unido “matou duas, para cada três pessoas de covid-19” e afirmou que no Brasil “mesmo sem dados oficiais” os números não seriam diferentes. Além disso, Bolsonaro atacou a imprensa e disse que “rede de TV desdenhou, debochou e desestimulou” o uso do medicamento Hidroxicloroquina, fazendo referência à Rede Globo.

Um dia após o Brasil ultrapassar a taxa dos 100 mil mortos em decorrência do novo coronavírus, o presidente diz que “de forma covarde e desrespeitosa” a Globo teria festejado a data como uma “verdadeira Copa do Mundo”, e que, segundo ele, teria culpado o dirigente por todos os óbitos deste período. Neste sábado (8/8), contudo, o presidente não se manifestou diretamente sobre o número de vítimas brasileiras, tendo apenas retuitado uma mensagem de apoio feita pela Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República.

Ao se referir à imprensa, Bolsonaro comparou a Globo com os profissionais de saúde. Nos tuítes, o líder do Executivo disse que diferentemente de muitos gestores e profissionais que “fizeram de tudo pelas vidas do próximo”, a emissora só “espalhou o pânico na população e a discórdia entre os Poderes”. “No mais, essa mesma Rede de TV desdenhou, debochou e desestimulou o uso da Hidroxicloroquina que, mesmo não tendo ainda comprovação científica, salvou a minha vida e, como relatos, a de milhares de brasileiros”, comenta.

O uso da medicação para tratar infectados pela covid-19, entretanto, foi desaconselhado pela Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) depois de duas pesquisas internacionais não apontarem resultados eficientes do medicamento nesta situação de aplicação fora da bula. Bolsonaro precisou se submeter a eletrocardiogramas duas vezes ao dia para monitorar o efeito do remédio no organismo.

Coronavírus no BrasilEm um mês e meio, o Brasil assistiu ao novo coronavírus intensificar o processo de interiorização ao ponto de dobrar o número de mortos pela doença. Em meados de junho, o país atingiu o patamar de 50 mil óbitos, mas com acréscimos diários na casa de mil fatalidades, a cortina invisível de infecção varreu 101.059 vidas de brasileiros, deixando centenas de milhares de famílias sem oportunidade de um último abraço. Com o acréscimo de 23.010 casos, o número de infectados bateu os 3.035.422), neste domingo (9/8).

Os números indicam que as previsões dos principais núcleos de pesquisa da pandemia no país estavam certas. O Portal Covid-19 Brasil indicava que a barreira dos 100 mil mortos e 3 milhões de casos seria batida com o fechamento da semana 32, neste sábado (8/8), o que ocorreu.

Por enquanto, somente seis estados acumulam menos que mil mortes. Tocantins (451), Mato Grosso do Sul (509), Roraima (547), Acre (561), Amapá (602) e Rondônia (943). Quem lidera o ranking brasileiro é São Paulo (25.114) e concentra um quarto do total das vítimas do país.

“Número de mortos seria muito maior se seguíssemos Bolsonaro”

Demitido em abril do Ministério da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM) afirma que o presidente Jair Bolsonaro soube, no começo da crise, que o Brasil iria ultrapassar 100 mil mortos, caso ignorasse recomendações de autoridades sanitárias.

Para ele, apesar de “sabotagem enorme” de Bolsonaro, o cenário seria “infinitamente pior” se o presidente tivesse imposto uma estratégia de isolamento vertical.

“A gente conseguiu, durante um intervalo, falar para a população brasileira a realidade. E as pessoas conseguiram montar algumas defesas. Muita gente permanece fazendo o que é correto. Se fosse aquela história de quarentena vertical, sai todo mundo de casa e somente pessoas acima de 65 anos ficam, teria sido um número infinitamente superior”, disse Mandetta ao Estadão.