Silêncio da Arquidiocese de Goiânia no escândalo do padre Robson gera desconforto na cúpula da CNBB

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou um curto comunicado em que se diz “surpreendida” com as notícias envolvendo a Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe), comandada pelo padre Robson de Oliveira em Trindade (GO).

“A CNBB manifesta-se interessada na apuração da verdade, aguardando o resultado das investigações”, diz também a nota.

Segundo o Ministério Público, o padre e outros investigados teriam usado recursos da associação para comprar, por meio de laranjas, imóveis de luxo, fazendas e gado.

O site O Antagonista informou que a cúpula dos bispos católicos se preparou para divulgar uma comunicado mais extenso, mas acabou voltando atrás por entender que a CNBB “não tem relação direta com a Afipe”, ligada à Arquidiocese de Goiânia e aos redentoristas, a ordem religiosa à qual pertence o padre Robson.

Um cardeal, em reservado, disse ao site que “a questão é saber se os recursos foram ou não usados dentro da finalidade da instituição” — o cardeal certamente não leu (ou ignorou) a denúncia do MP, que traz elementos de prova.

Um padre com trânsito na CNBB criticou a postura da Igreja no episódio — o arcebispo de Goiânia logo minimizou os fatos, apesar de ter afastado Robson das atividades sacerdotais:

“É uma reação que causa repulsa. A questão não é somente se os valores foram usados ou não segundo os fins da instituição. A questão é se é ético, moral, evangélico movimentar todo esse dinheiro num país pobre para essa finalidade e neste momento. Obras grandiosas e instrumentos poderosos à vista de todos e se dizem surpreendidos? Fazem de conta que não veem as coisas, se beneficiam de alguma forma, direta ou indiretamente, e depois tiram o corpo fora.”

De acordo com o MP, a Afipe movimentou R$ 2 bilhões em 10 anos. Segundo os depoimentos colhidos até aqui, o padre Robson foi extorquido por causa de casos amorosos. Sobre isso, a cúpula da Igreja nada comentou.