Samuel mentiu: relatório da PF informa que ele é investigado, tipifica seus crimes e pede até a sua prisão temporária

O relatório da Polícia Federal, no curso da Operação Miquéias, que desbaratou uma quadrilha que desviava recursos de fundos previdenciários municipais e estaduais, declara textualmente que o deputado estadual Samuel Belchior, presidente regional do PMDB, é, sim, investigado, tipifica os crimes de que ele é acusado e conclui pedindo a Justiça Federal a decretação da sua prisão temporária.

Samuel mentiu infantilmente em nota divulgada logo após as primeiras notícias sobre a sua condução coercitiva à sede da Polícia Federal. Na nota, ele disse que “diferente do que foi noticiado, não é sequer investigado no caso que motivou a operação Miquéias”.

Mas é investigado, sim.

Só que o juiz federal que despachou o pedido da PF para a prisão temporária julgou dispensável a “custódia processual”, ou seja, a prisão temporária de Samuel Belchior, autorizando apenas a sua condução coercitiva para a prestação de depoimento.

Em termos expressos, o juiz reconheceu a existência de “veementes indícios de que Samuel Belchior é responsável por intermediar contatos entre membros da quadrilha e políticos de Goiás, Acre e Mato Grosso, para ajudar a alcançar os objetivos da organização criminosa”.

Em seu despacho, o juiz considerou ainda que Samuel Belchior está incurso nos crimes tipificados no artigo 288 do Código Penal (formação de quadrilha) no artigo 332 do mesmo Código (tráfico de influência), concordando com as conclusões do relatório da Polícia Federal.