Cristianizado
• O lançamento desorganizado da pré-candidatura de Caiado na Bahia, nesta sexta-feira (4), mostrou que nem os correligionários de seu partido, o União Brasil, apoiam a decisão particular e ambiciosa dele de se tornar presidenciável em 2026.
• Ronaldo Caiado vive a encarnação do mau tempo de campanha nos anos de 1950 do então candidato à Presidência, Cristiano Machado, ex-deputado federal mineiro, à época abandonado pelos companheiros, que optaram por apoiar Getúlio Vargas na briga pela cadeira no Palácio do Catete. Surgiria ali a expressão “cristianização”, que, 75 anos depois, acomete Caiado.
O drama do rejeitado
• Estacionado na rabeira das pesquisas de intenção de voto, Caiado já viu que nem mesmo seu amigo ACM Neto se esforçou como deveria naquela “anarquia” que ele chamou de lançamento da pré-campanha. O presidente do União Brasil, Antonio Rueda, que chegou ao comando da sigla traindo Luciano Bifar com o empenho carniceiro de Caiado, ao estilo briga entre gangsters, traiu o companheiro de traição e não deu as caras por lá.
• O União Brasil está sujo no pedaço, um dia antes viveu mais um capítulo da novela “rei do lixo”, que está botando políticos safados e empresários corruptos na mira da Polícia Federal, com maior atuação na Bahia e esquemas montados também no governo Caiado. Malandragem não quis botar a cabeça pra fora no evento desta sexta.
Sinal de apache nas montanhas
• Políticos rejeitados na direita por traírem o ex-presidente Jair Bolsonaro foram os maiores nomes no evento de Caiado: o ex-ministro Luiz Mandetta e o ex-juiz Sérgio Moro, dois “cadáveres” difíceis de arrastar, que Caiado jogou nas costas em sua “perambulância”.
• Fora isso, o inelegível governador de Goiás, manjado por abuso de poder político, não conseguiu levar mais ninguém importante dentro da oposição do presidente Lula (PT), que faz coro no bloco do Bolsonarismo. A pré-candidatura de Caiado nasceu cristianizada: o candidato de si mesmo e de mais ninguém. Devorado pela própria vaidade, cabe a ele sair de fininho e apagar a luz.
Cristiano Silva
Editor