• Não tem lado
A participação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na feira AgroVem, em Goiânia, movimentou não apenas os bastidores da política goiana, mas também revelou um desconforto visível na relação entre o governador Ronaldo Caiado (UB) e parte da base bolsonarista.
Durante o evento, relatos de quem acompanhou de perto indicam que Caiado foi alvo de comentários críticos e ironias. Isso porque, poucos dias antes, ele havia participado de uma solenidade em que concedeu o títulos de cidadania goiana a ministros do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
• Contradição
O gesto de homenagear autoridades do STF foi mal recebido no ambiente da AgroVem, especialmente entre apoiadores de Bolsonaro, que têm histórico de críticas abertas à atuação do Supremo.
Esse movimento gerou uma percepção de contradição na postura do governador. Afinal, Caiado tenta se apresentar como uma liderança da direita no cenário nacional, ao mesmo tempo em que adota gestos de aproximação com figuras que são, justamente, alvo de constantes críticas desse mesmo campo político.
• Não engana
Para muitos observadores, esse episódio expôs um problema recorrente na estratégia política do governador: o envio de sinais contraditórios.
Se por um lado Caiado busca se projetar nacionalmente como alternativa no espectro da direita — inclusive adotando nas redes sociais elementos simbólicos como as cores da bandeira do Brasil —, por outro mantém aproximações com atores políticos que geram desconforto na base bolsonarista.
O resultado foi visível nos bastidores da AgroVem: comentários de desconfiança, críticas veladas e a percepção de que há um descompasso entre o discurso e a prática política adotada por Caiado.
Cristiano Silva
Editor

















