sexta-feira , 6 março 2026
Opinião

De canalha a aliado; o estranho milagre na relação entre Gustavo Gayer e Caiado

• Rompimento

O comportamento político do deputado federal Gustavo Gayer (PL) tem gerado mais questionamentos do que respostas dentro da direita goiana.

Autodeclarado líder do bolsonarismo em Goiás, Gayer protagonizou, em 2024, um embate público com o governador Ronaldo Caiado, que beirou o constrangimento.

A briga, travada nas redes sociais durante as eleições municipais, foi marcada por ofensas, ataques pessoais e episódios lamentáveis. De um lado, Caiado ironizou Gayer dizendo que ele “acordou cedo pela primeira vez na vida” após uma operação da Polícia Federal na casa do deputado.

Do outro, Gayer respondeu chamando o governador de “canalha” e jurando publicamente que ele “nunca será presidente”. Tudo isso após Caiado apoiar Sandro Mabel, que venceu o candidato do PL, Fred Rodrigues, numa eleição que uniu, curiosamente, o governador e setores do PT para derrotar o bolsonarismo em Goiânia.

• Virou a folha

Gustavo Gayer, até então o mais ferrenho crítico de Caiado, surge agora articulando aproximações políticas com o mesmo governador que acusava de perseguir o PL.

Segundo fontes do próprio partido, foi Gayer quem costurou a reunião entre o ex-presidente Jair Bolsonaro e Ronaldo Caiado, durante a visita de Bolsonaro a Goiânia nesta semana.

A movimentação gerou perplexidade dentro do PL, que até hoje guarda feridas abertas das eleições de 2024, quando Caiado não apenas derrotou Gayer e Fred Rodrigues, mas também entrou em rota de colisão com outros deputados estaduais do partido, alguns deles alvo de processos movidos pela filha do governador, Anna Vitória Caiado.

• Perguntas

O desconforto no PL é evidente, e os próprios aliados de Bolsonaro no estado se perguntam:

O que justificaria essa guinada tão brusca? Que tipo de interesse, estratégia ou conveniência estaria por trás desse alinhamento improvável?

Nem a metáfora bíblica da água transformada em vinho parece capaz de explicar esse fenômeno. O que antes era confronto entre Gayer e Caiado mais uma vez virou afago.

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