• Equipamento espião
O ataque doo governador Ronaldo Caiado (UB) contra a promotora de Justiça Leila Maria ultrapassou qualquer limite aceitável dentro de um estado democrático.
O que está em curso não é apenas uma tentativa de desmoralizar quem cumpre seu dever, mas uma escalada preocupante de perseguição institucional.
Ao tentar calar a promotora que questiona uma lei feita sob medida — que libera R$ 2,5 bilhões em obras sem licitação — Caiado revela o desconforto de quem não aceita fiscalização.
Quem deveria defender a legalidade, prefere o atalho, ignora os princípios da administração pública e tenta transformar quem fiscaliza em inimigo do Estado.
• Espionagem: Leila sob risco?
O alerta agora é mais grave. Políticos da oposição estão preocupados e temem que a promotora Leila Maria esteja sendo alvo de espionagem. “A carta de ataques do governador enviada hoje (22), intitulada “nota ao povo goiano”, mais parece uma intimidação de quem tem informações”, disse um deputado, que preferiu não se identificar.
Em 2023 a Agência Pública alertou que o governo de Goiás contratou, por R$ 7,6 milhões, a empresa israelense Cognyte, dona do software espião First Mile, o mesmo investigado pela Polícia Federal no caso da Abin paralela, que monitorava opositores de Bolsonaro.
Esse sistema permite rastrear, em tempo real, qualquer pessoa com um celular. E mais: Caiado colocou sigilo de cinco anos sobre os dados do contrato, levantando ainda mais suspeitas.
Caiado já foi acusado de usar essa ferramenta para monitorar jornalistas e adversários políticos em Goiás.
• Ameaça
O que está em jogo não é só o trabalho da promotora Leila Maria — é o direito da sociedade de saber como são gastos os recursos públicos. A democracia goiana está sendo colocada à prova. E quem defende o Estado de Direito precisa estar atento. Muito atento.

















