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quinta-feira , 1 outubro 2026
Opinião

Despencando nas pesquisas após presença no Gilmarpalooza, Caiado reage com cinismo e finge indignação pela “tornozeleira” de Bolsonaro

• Bendita tornozeleira

Ronaldo Caiado resolveu comentar a tornozeleira eletrônica de Jair Bolsonaro. Comentou, não defendeu. Disse que é “um absurdo”, sem erguer a voz, sem bater na mesa, sem citar o nome do ministro que impôs a medida, como quem torce para que os amigos no STF não escutem o que ele está dizendo.

Ele não condenou o processo, nem os fundamentos da cautelar — só a tornozeleira. Se houvesse um concurso para “manifestação mais deslavada do ano”, o governador de Goiás ganharia por unanimidade. Fala sem se comprometer, critica sem ofender e defende… com um olho na câmera e o outro no WhatsApp do Gilmar Mendes.

• Caçador de golpistas

Foi o mesmo Caiado que, logo depois do 8 de Janeiro, correu para oferecer celas em Goiás aos manifestantes presos. De forma tão prestativa, sua polícia não só ajudou nas prisões como colocou a tropa à disposição da operação.

Mas agora, do nada, virou crítico moderado de tornozeleiras. Justamente ele, que até outro dia era o bom aluno da “cooperação institucional”, passou a dizer que o acessório eletrônico em Bolsonaro é “exagerado”. Se continuar assim, logo vai chamar tornozeleira de item de moda injustiçado.

• Gilmarpalooza

Difícil esquecer: foi também Caiado quem entregou no mês passado, com tapete vermelho, o Título de Cidadania Goiana a ministros do STF e ao procurador-geral Paulo Gonet. Dias depois, embarcou para Portugal e curtiu o Gilmarpalooza com entusiasmo digno de fã de primeira fila.

A foto com Gilmar Mendes foi sorridente, orgulhosa. Agora, volta ao Brasil tentando bancar o revoltado de ocasião. Com um pé no agronegócio e outro no Supremo, Caiado parece querer agradar todo mundo — e, no fim, não convence ninguém.

Lanterninha da direita
A conta chegou: a mais recente pesquisa Genial/Quaest aponta que Caiado despencou para 1% entre os nomes da direita. Enquanto Zema, Tarcísio e outros crescem, ele patina no terreno escorregadio que cavou com as próprias palavras. Não é quente, nem frio.

“Por seres morno, estou a ponto de vomitar-te da minha boca”. O eleitorado de direita já entendeu. Só falta Caiado entender de que lado ele está.

Cristiano Silva
Editor

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