• Retorno desastroso
Depois de um longo sumiço, o deputado estadual Lucas Calil (MDB) resolveu reaparecer na Assembleia Legislativa. Menino criado no colo da política, escolheu um tema para lá de inusitado para defender o governo Caiado (UB): “picanha montada e licitação”. Virou piada.
Sim, Calil transformou o debate sobre a decisão do ministro Alexandre de Moraes, que suspendeu as obras sem licitação em Goiás, em uma crônica de espetinho. Miau, miau.
• Discurso confuso
Entre metáforas malpassadas e frases desconexas, o deputado afirmou que “a licitação é a verdadeira picanha montada” e que o governador queria apenas “entregar as obras”.
Segundo ele, “ninguém quer roubar, não”. O problema é que, no meio do churrasco verbal, Lucas Calil esqueceu de mencionar o essencial: são 3 bilhões de reais da taxa do Agro em jogo, aplicados em obras sem licitação — um modelo condenado pelo Supremo Tribunal Federal.
• Esperar o que de Lucas Calil?
Ouvindo o discurso de Calil, cabe uma reflexão: tanto o espetinho de picanha montada quanto o político adesista compartilham a mesma filosofia — o que importa é a capa.
Desde que a fachada seja atraente e o público não se aprofunde demais no que está por baixo, a jogada está feita. Um é o milagre da multiplicação da carne; o outro, o milagre da multiplicação das convicções. E o goiano, que entende de churrasco e de política, sabe que em ambos os casos o sabor é o mesmo: falsidade e maracutaia.

















