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quinta-feira , 1 outubro 2026
Opinião

Caiado agora está no partido de quem um dia ele chamou de “cafetão do Planalto”. Ora, ora, ora: quem trabalha para um cafetão é o quê?

• Teúda e manteúda

A política brasileira é pródiga em ironias, mas poucas são tão constrangedoras quanto a atual situação de Ronaldo Caiado.

O mesmo governador que, no passado, atacou duramente Gilberto Kassab, chamando-o de “cafetão do Planalto”, hoje se abriga justamente no partido comandado por ele, o PSD.

• Fome de poder

Gilberto Kassab não joga para perder. O PSD é hoje o coração do centrão, um partido que não tem lado ideológico definido.

Apoia quem está no poder, negocia ministérios, cargos e influência, e transforma instabilidade política em moeda de troca. Hoje, o PSD já controla três ministérios no governo Lula — e quer mais.

• Carne fresca no pedaço

Caiado não passa de 1,5% nas pesquisas, mesmo após um ano inteiro de pré-campanha presidencial. Seu nome não empolga, não mobiliza e não cresce.

Mas ele interessa como instrumento de pressão, como voz ruidosa, figura polêmica, como se fosse um cão na coleira de Kassab, capaz de criar tensão no Congresso e ampliar o poder de barganha do PSD junto ao governo federal.

• A lógica é simples

Quanto maior o potencial de conflito que Kassab carrega, mais ministérios ele negocia. Caiado entra nesse jogo como peça estratégica, não como protagonista.

O PSD opera na lógica do “quanto mais medo eu ofereço, mais poder eu recebo”. E, nesse tabuleiro, Caiado passa a ser usado assim como os cafetões usam as pobres raparigas de vida fácil.

Cristiano Silva
Editor

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