domingo , 10 maio 2026
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Delegado prende, acusa e investiga? Caso de Cocalzinho levanta suspeita de abuso e conflito. Em vídeo, Christian Zilmon ameaça nova prisão

• O mesmo agente em dois papéis?

O caso envolvendo o delegado Christian Zilmon, em Cocalzinho de Goiás, ganhou repercussão nacional após a prisão da advogada Áricka Rosalia Alves Cunha.
Mas o ponto mais grave vai além da prisão: o próprio delegado aparece como suposta vítima e responsável pela investigação. E pior: tem gravado vídeos com ares de autoridade para provocar a advogada com novas ameaças de prisão.

Isso levanta uma questão direta: é possível haver imparcialidade quando quem se diz ofendido também conduz o caso?

• Impedimento?

Em vídeo divulgado neste sábado (18), o delegado afirmou ter recebido centenas de mensagens com críticas e disse que há nova investigação em curso contra a advogada, citando crimes como injúria e incitação.

O problema é que, ao se posicionar publicamente dessa forma, o próprio delegado reforça o papel de parte interessada — o que exige, por regra básica de legalidade, o afastamento da condução do caso por questões pessoais.

• Entenda o início do caso

A advogada Áricka Rosália Alves Cunha afirma que tudo começou em março, quando protocolou, junto a moradores, um pedido na prefeitura para conserto de ruas em Cocalzinho. Após divulgar o tema nas redes, passou a receber ataques, incluindo comentários ofensivos como “loura idiota”.

Diante disso, ela registrou ocorrência contra o autor. Mas, segundo documento divulgado, o caso foi arquivado provisoriamente por falta de policiais na delegacia.

• Crítica à polícia e reação

Inconformada, Áricka pediu o desarquivamento e passou a criticar publicamente a atuação da delegacia. Foi a partir dessas críticas que, segundo ela, a situação escalou.

A advogada relata que teve o escritório invadido e acabou presa pelo delegado Christian Zilmun Mata dos Santos após suas manifestações.

Áricka nega ter cometido difamação. Afirma que fez críticas à atuação pública da polícia, o que, segundo sua defesa, está dentro do direito de liberdade de expressão.