Tudo indica que Caiado sabia da lista de Fachin e por isso, na semana passada, mudou o discurso, passando a paparicar o PMDB, à espera da “queimação” de Daniel Vilela

Na semana passada, o senador Ronaldo Caiado surpreendeu ao sair elogiando o PMDB e o deputado federal Daniel Vilela, um dos candidatos a governador do partido, em entrevistas e em discursos.

Caiado declarou que o seu grupo, desde 2014, quando foi eleito para o Senado com o apoio dos peemedebistas, é o PMDB e que Daniel Vilela tinha preparo e competência para disputar o governo. Prometeu que, como seria um homem de palavra, não enfrentará a eleição caso não venha a ter o apoio da legenda e que acatará a decisão sobre o candidato que vier a ser tomada em consonância pelo PMDB e pelo DEM.

Agora, com a divulgação da lista de Fachin, apontando o pagamento de propinas da Odebrecht para Daniel Vilela e seu pai Maguito, a coluna Giro, em O Popular, se apressa em afirmar, já nesta quarta-feira, que a candidatura do senador ruralista sai fortalecida do episódio – e que, segundo os próprios peemedebistas, a postulação de Daniel Vilela entra em baixa. “Está sub judice”, teria dito um membro do partido à coluna.

O nexo entre as duas situações, portanto, está claro: Caiado, ao deixar a pele de lobo de lado se apresentar como um cordeirinho com elogios rasgados ao PMDB e a Daniel Vilela, preparou o terreno para se beneficiar da divulgação da lista de Fachin. É provável, muito provável, que ele, em Brasília, onde não existem segredos, já tivesse a informação privilegiada de que Maguito e Daniel seriam denunciados por receber propinas.

Na sequência, pode esperar, leitor amigo, virão novas declarações de Caiado em defesa da família Vilela, dizendo acreditar que são pessoas de bem, que as propinas precisam ser provadas com elementos consistentes, patatitá, patatá. Tudo para garantir o espólio, ou seja, o apoio do PMDB em 2018, caso pai e filho sejam definitivamente queimados.