2018: desafios que candidatos a governador têm que superar vão do continuísmo (Zé Eliton), passam pela inexperiência (Daniel Vilela) e chegam ao radicalismo agressivo (Caiado)

Cada um dos três principais candidatos a governador de Goiás, colocados até agora – o vice-governador José Eliton, o deputado federal Daniel Vilela e o senador Ronaldo Caiado – enfrenta um tipo de desafio pessoal e político que é próprio dos seus respectivos posicionamentos ou das suas características individuais.

O nome que representará a base aliada do governador Marconi Perillo, no caso o vice José Eliton, entrará na campanha carregando a pecha do continuísmo, depois de quase 20 anos de domínio do PSDB – mesmo considerando o intervalo do mandato de Alcides Rodrigues, que foi eleito pelos tucanos, mas depois traiu o grupo.

Eleger José Eliton significará manter quadros e políticas públicas em uma sociedade renovada no mínimo por uma geração, desde que Marconi foi eleito pela primeira vez em 1998? Ou seja: o voto em José Eliton trará como contrapeso nomes que a própria base aliada hoje reconhece como técnica e politicamente envelhecidos, mas que sobrevivem como vacas sagradas em postos estratégicos da administração estadual?

Já Daniel Vilela traz, na própria face jovem, a marca da renovação, mas, junto com ela, o estigma da inexperiência política e administrativa. Nunca ocupou nenhum cargo, nunca administrou sequer um carrinho de pipoca, nunca se destacou pela participação em nenhum evento histórico de importância. Sua trajetória política – vereador, deputado estadual e agora federal – deve-se exclusivamente ao fato de ser filho do ex-tudo Maguito Vilela, nada mais. Confiará o eleitor em tamanha página em branco?

O caso de Ronaldo Caiado é o pior dos três. Tanto pessoal como politicamente, é famoso por não agregar e, sim, por espantar alianças e apoios. Caiado tem uma agressividade nata, verbal e física, que faz com que seja considerado como inapto para eleições majoritárias. Na do ano que vem, depende do apoio do PMDB, já que não tem bases próprias e pertence a um partido que ele tornou nanico em Goiás, graças à sua atuação furibunda e autoritária.

Da última vez que se candidatou a governador, ficou em terceiro. Em um delírio de megalomania, disputou a presidência da República em 1980 e teve 0,72% dos fotos, classificando-se em um humilhante 10º lugar. Ou seja: Caiado serve para vociferar nos palanques e no Congresso, mas será que os goianos vão se arriscar a entregar a ele um posto administrativo de tamanha responsabilidade quanto o de governador?

Até agora, nenhum dos três candidatos ofereceu qualquer resposta a esses seus reptos.