quarta-feira , 11 março 2026
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Afonso Lopes: “Governo Caiado perdeu a narrativa, e precisa urgentemente reconstruir capacidade de diálogo”

Avolumam-se as críticas ao modelo de gestão adotado por Caiado nos primeiros 60 dias de campanha.

Agora é o tarimbado jornalista Afonso Lopes que analisa de forma negativa o governo.

Veja a íntegra:

É inédito: jamais, pelo menos desde a redemocratização do país, no início de 1982, um governo perdeu tão rapidamente uma extraordinária capacidade narrativa – comprovada pela maior vitória eleitoral deste século no Estado – de maneira tão rápida, quase instantânea. É algo tão inusitado que se torna quase impossível apontar as causas desse inestimável prejuízo, embora seja fácil observar as consequências.

Normalmente o que se tem nos primeiros meses de um novo governo é uma fase de lua-de-mel entre o governante e os governados, gerando uma onda que pode durar alguns meses e se desgastar depois disso ou até se prolongar por mais algum tempo. É a fase das boas notícias que disfarça o dinheiro curto. Foi assim desde a década de 1980. Deixou de ser este ano.

É possível citar exemplo notável de equívoco comunicativo. Ao se decidir politicamente pelo pagamento dos salários de janeiro e não pelos atrasados de dezembro, a comunicação do governo foi insuportavelmente errada, equivocada completamente. Ao ponto de a atitude do governo ter sido compreendida pelos servidores como calote, o que, obviamente, não é.

Aqui deve-se registrar: se a intenção não confessada foi a de prolongar ou ampliar o desgaste dos governantes anteriores, a medida era desnecessária. As urnas mostraram a exata dimensão da reprovação deles. Se foi uma alternativa pensada para encontrar um caminho alternativo para colocar os salários em dia, dentro do mês trabalhado como era até o final de 2014, então esse fato deveria ter sido a pauta principal do diálogo, o que não aconteceu. Restou portanto apenas uma mensagem truculenta de monólogo: “será assim, e pronto”.

É bem verdade que o governo tentou várias vezes (re)abrir o canal do diálogo através de seus secretários com maior intimidade com a política, como o formidável Ernesto Roller, bastante experiente, mas é sempre muito complicado corrigir o que nasceu errado. O que se viu nessas tentativas acabou por reforçar a mensagem cifrada do monólogo.

É humanamente impossível recolher o leite após ele se espalhar pelo chão, mas é urgente que se tente pelo menos recolher o máximo que der. O governo está apenas começando, e se conseguir de fato construir seu enorme potencial de narrativa, certamente encontrará um caminho menos pedregoso para criar estabilidade política, o que facilita as coisas para se desenvolver a iniciativa administrativa como um todo.

A reconstrução do diálogo perdido passa necessariamente pela humildade no reconhecimento (interno, obviamente) da postura equivocada na comunicação, e para isso é necessário mudança de postura, deixando de lado o pessimismo e apostando ao menos ligeiramente no otimismo. Aos poucos, tudo vai funcionar melhor se isso for feito. Afinal, como sempre se costuma dizer, governos podem muito, mas nunca podem tudo.

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