Exclusivo: veja relato do professor que criticou carta do ministro da Educação sobre hino e agora é perseguido em Goiás pelo caiadismo

Hoje, às 8 horas,  o professor Wellington Divino teve que comparecer a Coordenação Regional de Educação (Crece) de São Luís dos Montes Belos para se defender da “acusação” de criticar carta do MEC com slogan de Bolsonaro. Depois terá que vir à Seduce fazer o mesmo.
Veja com exclusividade o relato do professor:

“O meu depoimento pareceu a idade média, foi uma verdadeira inquisição. Me perguntaram sobre o episódio do dia 27 de fevereiro: a leitura da carta pelo diretor. Me perguntaram sobre as reclamações dos pais; depois me questionaram sobre minha posição religiosa; depois me questionaram sobre minhas convicções políticas, ou seja, queriam saber se sou filiado algum partido e se estou em algum movimento de estudantes secundaristas. Me perguntaram também se converso com alunos fora da sala de aula. Me perguntaram se achava que minhas aulas influenciavam os alunos política e religiosamente. Então, concluindo, eles estavam com a Joana D’arc e queriam queimá-la viva, no caso eu, né!? Mas tive um bom espaço e falei de todos os acontecimentos. Expliquei fato por fato, não me recusei a nenhum questionamento. Expliquei todas as perseguições pela minha posição política, falei das mensagens de ódio do diretor no facebook dele. Disse a eles que ele me acusa de fazer proselitismo político, mas mostrei que ele (o diretor) é quem faz. Disse muitas coisas. Contextualizei minhas práticas pedagógicas com interdisciplinaridade e transversalidade dos conteúdos e muito mais coisas. No final,  o advogado do Sintego disse que foi bem o depoimento e que eu estava seguro, pois dominava toda a situação e conhecia do que falava. Bom, agora eles vão concluir a sindicância e emitir um relatório. Tiveram na sexta feira  no colégio, perguntando alunos e hoje a tarde iriam conversar com professores. O advogado está trabalhando na defesa.”