• Tentáculos da organização
O governo de Goiás entregou R$ 2,4 bilhões em obras públicas, sem licitação, a uma “organização” sem histórico de engenharia, comandada por um ex-chefe de gabinete do próprio governador. Um absurdo!
À frente da OSC Ifag está Armando Leite Rollenberg Neto, um político menor de Alexânia (GO), alçado ao poder por indicação direta de José Mário Schreiner, aliado ruralista de Ronaldo Caiado.
A OSC, sem qualquer tradição em infraestrutura, foi encarregada de executar 18 obras com recursos da taxa do agro. Tudo em tempo recorde — e em plena pré-campanha eleitoral — por um modelo que burla a licitação e abre brechas para a pessoalidade, o tráfico de influência e o superfaturamento.
• Ventríloquo
Armando, que se apresenta como gestor, é apenas o boneco. O verdadeiro comando está nas mãos de Caiado, que nomeou e apadrinhou o “executivo” da Ifag; de Schreiner, mentor político do projeto; e de Daniel Vilela, vice-governador e herdeiro da aliança.
No Instagram de Armando, não há menção a gestão pública ou obras, apenas fotos pedindo votos para Caiado, Daniel e Zé Mário.
Trata-se de um teatro encenado com dinheiro público: a figura do gestor técnico é só fachada, manipulada por interesses políticos em um cenário onde a impessoalidade deu lugar ao compadrio.
• Privatização velada
Enquanto o governador defende o modelo como moderno, o Ministério Público o classifica como um “programa de privatização disfarçada”.
A promotora Leila de Oliveira denunciou à PGR a ilegalidade da lei que permitiu essa transferência bilionária. Em vez de responder tecnicamente, Caiado atacou a promotora, sendo rebatido por todo o MP.
Mesmo assim, o governo já liberou R$ 1,1 bilhão à OSC, com orçamentos até 70% superiores aos previstos. Um sistema montado para parecer inovador, mas que opera sob os comandos ocultos de uma organização entrelaçada pelo fio da ambição.
Cristiano Silva
Editor

















