• Superfaturamento?
É o povo quem pergunta, governador: será que esse asfalto foi banhado a ouro? A denúncia feita pelo prefeito de Pires do Rio, Hugo do Laticínio (Podemos), durante evento público nesta quinta-feira (9), trouxe à tona uma conta que não fecha.
Segundo o prefeito, o governo de Goiás, por meio da Goinfra, executou 12,4 km de asfalto ao custo de R$ 70 milhões. Isso dá cerca de R$ 6 milhões por quilômetro, o triplo do valor de mercado na região, que gira em torno de R$ 2 milhões por km.
A pergunta que não quer calar é: por que pagar três vezes mais por um trecho tão curto de rodovia?
• Arrogante
Enquanto o prefeito apresentava os dados e documentos, o presidente da Goinfra, Pedro Salles, estava no mesmo palanque. Mas em vez de responder à denúncia, encolheu-se.
A imagem foi simbólica: o silêncio diante de uma acusação grave. A fala de Hugo não foi leviana. Ele apontou o superfaturamento com números concretos e alertou para o risco de desperdício — ou desvio — de dinheiro público.
O governador Ronaldo Caiado, em vez de abrir o diálogo ou solicitar imediatamente uma apuração, reagiu com altivez, interrompeu o prefeito, e mandou que ele fosse ouvido por um “delegado seu”, como se o Estado fosse sua propriedade particular.
• Dolo específico
A arrogância com que Caiado tentou silenciar a denúncia não elimina o peso da suspeita. Ao contrário, amplia. O Anel Viário de Pires do Rio virou símbolo de algo maior: um modelo de governo que reage com fúria sempre que confrontado com fatos.
Se há superfaturamento, que se investigue. Se há dolo, que se puna — inclusive, se necessário, quem ocupa o cargo mais alto do Palácio das Esmeraldas. A democracia exige respostas. O povo exige respeito. E a honestidade, quando real, não teme planilhas nem microfones.
Cristiano Silva
Editor

















