quinta-feira , 23 abril 2026
Opinião

As contas de padeiro do Pedro Salles para justificar o superfaturamento de R$ 75 milhões no anel viário de Pires do Rio. A emenda saiu pior do que o soneto, Caiado

• Padaria da Rolinfra

Quando o prefeito de Pires do Rio, Hugo do Laticínio, denunciou o superfaturamento de R$ 75 milhões na obra do anel viário de sua cidade, usou uma expressão popular: “conta de padeiro”. Era uma forma simples de explicar que 12,4 km de asfalto não deveriam custar três vezes mais do que o valor praticado no mercado.

A resposta do governo Caiado veio com deboche. Pedro Salles, presidente da Goinfra, gravou um vídeo ironizando o prefeito — mas a tentativa de menosprezar o alerta virou um constrangimento público.

Pedro Salles parece cada vez mais desesperado aos olhos da opinião pública. Foi um erro grosseiro deixar a empreiteira que executou a obra também elaborar o projeto — ela coloca o preço que quiser, e isso não existe em lugar nenhum do mundo.

• Confissão pública

Nesta terça-feira (15), Salles concedeu entrevista ao jornal O Popular e confirmou que a própria Goinfra havia informado anteriormente que a obra custaria R$ 27 milhões. “Foi um erro da comunicação”, disse.

Ora, então quem fez a “conta de padeiro” foi o próprio governo? Não bastasse o preço de R$ 6 milhões por quilômetro — quase o triplo do valor médio de mercado para obras semelhantes em rodovias planas —, a nova explicação pública apenas reforçou a suspeita: há algo errado nessa conta. E o que está em jogo é o uso do dinheiro público.

• Prestação de contas

Mais do que corrigir a comunicação, o governo Caiado precisa esclarecer os contratos, os aditivos e os reais beneficiários dessa parceria público-privada.

É preciso abrir os números, mostrar os cálculos, explicar os critérios adotados e permitir o escrutínio público. Conversar com os donos das terras desapropriadas e solicitar documentos reais de depósitos.

A denúncia feita por Hugo merece respeito, não escárnio. O povo goiano exige respostas claras e honestas, Pedro Sales. Chega de conversa para boi dormir e cadeia para os corruptos.

Cristiano Silva
Editor