• Silêncio cúmplice
O vice-governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB), foi informado com antecedência sobre o escândalo envolvendo o anel viário de Pires do Rio.
Uma semana antes da inauguração da obra, o prefeito Hugo do Laticínios o procurou por telefone para relatar que havia encontrado o presidente da Goinfra, Pedro Salles, na rodovia, junto de representantes da empresa do grupo Friato — parceira na obra por meio de PPP.
O prefeito estranhou a movimentação, foi até o local e relatou da ausência de sinalização, os acidentes já registrados no local e, sobretudo, o salto no orçamento: de R$ 27 milhões para R$ 75 milhões. Depois telefonou ao vice governador contando tudo, Daniel ouviu e disse que verificaria.
• Cena constrangedora
Na chegada da comitiva a Pires do Rio, foi no carro com o próprio Caiado (UB), e Daniel, que Hugo expôs, mais uma vez, a denúncia.
Já no palanque, sentados lado a lado, Daniel viu o governador fazer as contas — R$ 75 milhões por 12,4 km dá exatos R$ 6 milhões por quilômetro — depois se encolheu quando Caiado reagiu com truculência.
Diante de prefeitos, imprensa e população, Ronaldo Caiado atacou, mando hugo Hugo, chamando-o de “falastrão” e ameaçou com delegado de polícia. Daniel permaneceu ao lado. Imóvel. Calado. Abaixou a cabeça.
• Omissão
Daniel Vilela tinha todas as informações. Sabia do superfaturamento, sabia do desconforto do prefeito, sabia que Hugo não havia sido sequer comunicado oficialmente sobre a inauguração. Mesmo assim, escolheu o silêncio. Não moveu uma palavra em defesa do prefeito que o procurou em busca de diálogo. como um garotinho, abaixou a cabeça.
A omissão pública de quem conhece os bastidores e assiste calado a um ataque institucional revela mais do que covardia: revela conivência. E isso, para um futuro candidato a governador, pesa — e muito.
Cristiano Silva
Editor

















