• Malandro é malandro e Mané é Mané
Em 1980, Bezerra da Silva lançou a música “Malandro não vacila”. Era mais do que samba: era crônica social. Bezerra sabia colocar em verso o retrato da esperteza brasileira, da ginga que às vezes se confunde com cinismo, da pose que esconde a falta de verdade.
• Cocada Boa
Hoje, sentado na Câmara Municipal, vendo o prefeito Sandro Mabel transformar uma prestação de contas em palanque e depois abandonar o plenário antes de responder aos vereadores, fiquei imaginando qual samba Bezerra escreveria.
Afinal, em Goiânia, ou estamos diante de um decreto de calamidade inventado, ou de um superávit fabricado. As duas coisas juntas não cabem na mesma partitura.
• Meu pirão primeiro
A vereadora Kátia Maria lembrou bem: não aplicar os 25% constitucionais na educação e ainda cortar a merenda escolar não é economia, é crueldade. E enquanto crianças dependem do prato da escola para comer, o prefeito exibe números polidos de arrecadação.
Bezerra, que sempre apontou os falsos espertos, certamente diria que tem muito figurão “posando de sabido, mas só aprendeu a gingar e a falar gíria”.
• Asa à cobra
Se vivo estivesse, Bezerra faria do comportamento de Mabel um samba de ironia fina. E a letra, em vez de louvar o verdadeiro malandro — aquele que não mente, não vacila, não carrega embrulho —, denunciaria o personagem que foge da sessão, que se esquiva das perguntas e que acha que engana a todos.
A música, com certeza, terminaria em coro, perguntando: como é que é? Como é que tá? Goiânia merece uma resposta.
Cristiano Silva
Editor

















