• A desculpa conveniente
O governo Caiado tenta convencer a sociedade de que é impossível fazer licitação. Alega burocracia, morosidade e entraves jurídicos para justificar a criação de uma lei que permite repassar bilhões da Taxa do Agro a uma organização social escolhida a dedo, sem chamamento público.
É a institucionalização do atalho — o uso da lei para legitimar o ilícito.
• Os números desmentem
Durante gestões anteriores, como do ex-governador Marconi Perillo (PSDB), o processo licitatório era sinônimo de eficiência e transparência.
O prazo médio para licitar uma obra era de 138 dias, mas muitas eram concluídas em apenas 90. Ao todo, mais de 700 obras foram executadas dentro da legalidade, sem travas judiciais, sem desculpas e sem precisar rasgar a Constituição. O discurso atual de que licitar é impossível cai por terra diante desses fatos.
• O contraste que grita
O exemplo mais escandaloso é o dos hospitais públicos. O HUGOL – Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira, quatro vezes maior que o Cora, foi entregue em 2015 pelo governo Marconi Perillo (PSDB), custou cerca de R$ 320 milhões e foi entregue em 23 meses.
Já o Cora, construído sob o modelo sem licitação do Caiado, com carta marcada para uma “organização social”, custou R$ 2,4 bilhões — quatro vezes menor, quatro vezes mais caro. A matemática da incompetência é simples: quando não há licitação, sobra dinheiro público nas mãos dos “parceiros” e falta moral.
• A erosão da legalidade
O que está em curso em Goiás não é apenas uma crise administrativa, mas uma distorção institucional. Quando o governante passa a tratar a exceção como regra, transforma a incompetência em política de Estado.
A licitação, que deveria ser a proteção do dinheiro público, virou o inimigo a ser vencido. E nesse enredo, a transparência foi a primeira vítima.
Cristiano Silva
Editor

















