sexta-feira , 6 março 2026
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Falta de amparo social. Conheça João Paulo, o Vaqueirinho de Goiás, um jovem esquizofrênico preso em casa para não virar estatística. Por onde anda Gracinha Caiado, responsável pelo social do governo?

• Tragédias ligadas pelo abandono

A morte de Gerson de Melo Machado, o “Vaqueirinho”, de 19 anos, atacado por uma leoa em João Pessoa após pular dentro do recinto do animal, expôs o drama de quem vive com esquizofrenia sem amparo.

Gerson carregava histórico de transtornos na família, passou por instituições de acolhimento, prisões, internações, e nunca teve a chance de uma vida minimamente protegida. Morreu tentando viver uma fantasia infantil: “cuidar dos leões”.

• Preso em casa para não virar tragédia

Em Abadiânia (GO), João Paulo, 27 anos, enfrenta esquizofrenia severa desde os 13.Vive sob os cuidados da mãe, dona Sandra Martins, de 53 anos em uma casa simples, pobre, mas onde ele é tratado com carinho e vigilância constante. Para evitar que ele se machuque ou cause algum acidente, ela mantém o filho “trancado” dentro de casa.

Mãe solo de sete filhos, dona Sandra teve de entregar três para adoção: duas meninas para um casal da Itália e um bebê de seis meses, hoje vivendo em Anápolis (GO).
O maior sonho de dona Sandra é ter um carro usado, apenas para conseguir levar o filho ao médico sem depender de favores.

• Falta de amparo

Dona Sandra desabafa, depois de ver o vídeo da morte de Gerson: “Eu sou muito julgada por ele viver aqui. Mas se ele sair daqui e machucar alguém, ou acontecer alguma coisa com ele, vão me julgar muito mais. Cuidar de um esquizofrênico é lutar dia e noite. A família tem o seu choro, o seu grito. Uma família do esquizofrênico não pode ser julgada. Tem que ser amparada.”

• Gracinha e a falta de gestão

Enquanto a primeira-dama Gracinha Caiado se vende como gestora de um suposto “modelo em gestão social” e circula o Estado em clima de pré-campanha ao Senado, histórias como a de João Paulo e dona Sandra mostram outro Goiás: o das famílias pobres, exaustas, que seguram sozinhas o peso da doença mental.

A vida deles desmente o discurso oficial do governo. João Paulo não pede luxo. Pede dignidade. Será que depois dessa reportagem, alguém do governo vai acordar e ajudar a família de João? Será que alguém vai fazer alguma coisa pelas famílias com pessoas portadoras de doenças mentais em Goiás?

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