Cláudio Meirelles ao Jornal Opção: “O poder subiu à cabeça do governador”

Veja como o deputado Cláudio Meirelles responde a uma pergunta do editor-chefe do Jornal Opção: 

Euler de França Belém – Comenta-se que o verdadeiro motivo para o sr. ter rompido com o governador Ronaldo Caiado é que o sr. fazia pressão por cargos no governo. O que justifica exatamente o sr. ter sido abandonado pelo governador?

Até hoje não sei por que o governador Ronaldo Caiado tem agido diferente comigo. O apoiei na campanha. Cumpri todos os compromissos com ele. Mas o Ronaldo Caiado da campanha é um, o Ronaldo Caiado governador é outra pessoa.

O poder subiu à cabeça do governador. Ele abandonou a maioria dos companheiros, não conversa mais com eles e se uniu com a maioria das pessoas que apoiavam o outro candidato [o ex-governador José Eliton]. Foi assim comigo, Iso Moreira (DEM), dr. Antônio (DEM) e o Major Araújo (PRP). Com uma diferença: eu não fui atrás do governador.

Em novembro, o Bruno Peixoto [líder do governo – MDB] votou pelo orçamento impositivo, eu não. Depois, o próprio Bruno Peixoto apresentou um novo projeto sobre o orçamento impositivo e perguntou se eu assinaria. Disse a ele que, sem ler, não assinaria. O governador reclamou que eu estaria causando dificuldade em um projeto do Bruno Peixoto, sem eu saber de nada. Fui ao governador e expliquei a ele que não havia nada disso e que qualquer fato que ele quisesse falar, falasse comigo. Mas disse que não iria mais votar em tudo o que ele mandasse sem me informar.

De certa forma, me senti humilhado de ter de ficar toda hora dando satisfação de meus atos ao governador. Mas expliquei a ele que não sou homem de fofoca e que a reclamação não se justificava, era intriga de alguém, que imagino ser o Bruno.

Votei os projetos que o governador pediu, como no caso dos incentivos fiscais. Mas vi que o comportamento dele comigo mudou. Fui chamado pelo Ernesto Roller [secretário de Governo], que me perguntou o que eu queria no governo. Disse a ele que queria apenas respeito.