TV Anhanguera omite ovos no bolso de manifestante preso em Anápolis. O Popular conta a história com correção

A TV Anhanguera veiculou na noite de sexta-feira, no Jornal Anhanguera 2ª Edição, reportagem sobre a prisão de um aluno da UEG em manifestação durante evento do governo em Anápolis.

A reportagem, porém, omitiu uma informação importante: o estudante, segundo matéria assinada por Paulo Nunes Gonçalves, em O Popular, deste sábado, estava com ovos para atirar nas autoridades do palanque, entre elas o governador Marconi Perillo e o prefeito de Anápolis, Antônio Gomide.

Quem viu a reportagem da TV Anhanguera ficou com a impressão de que a prisão do rapaz foi apenas um ato arbitrário.

Não foi. E o texto publicado em O Popular, também veículo do Grupo Jaime Câmara, mostrou corretamente o que houve, disponibilizando todas as informações necessárias para a compreensão do fato.

Um registro: a matéria de O Popular também acerta ao dizer que a greve na UEG é parcial: “Parte de alunos e professores está em greve há 51 dias”, afirma o texto. O detalhe representa um grande avanço na cobertura do jornal, que costuma apresentar como generalizados greves e protestos que não expressam o consenso das instituições e categorias envolvidas.

Confira:

 

Anápolis

Aluno da UEG detido em evento do governo

Paulo Nunes Gonçalves – de Anápolis

O estudante de arquitetura, da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Mateus de Oliveira Fagundes, foi detido pelo subtenente Adriano Fortaleza, da Polícia Militar, ontem pela manhã, durante visita que o governador Marconi Perillo fez a Anápolis com o objetivo de entregar 199 escrituras de lotes a moradores do Bairro Morada Nova, na Região Leste de Anápolis. Contra Mateus de Oliveira foi registrado Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), relatando que ele fazia parte de um grupo de professores e alunos da UEG em manifestação em que eles reivindicavam melhorias na universidade.

No registro policial está escrito que o estudante gritava o nome do governador e dizia palavras ofensivas, o que despertou a atenção da polícia, que foi em sua direção. Porém, quando Mateus de Oliveira viu que os militares aproximavam-se, sentou-se no chão e, com o movimento, um ovo que estava no seu bolso quebrou. Diante disso, os policiais decidiram vistoriar uma sacola que estava com o estudante e encontraram mais três ovos em seu interior.

O professor de história José Santana, que participava da manifestação, disse que nenhum dos seus colegas sabia que o estudante estava com os ovos, mas explicou que esse não foi o motivo da detenção. “Ele disse que Mateus foi detido porque estava desrespeitando o governador”, disse o professor, afirmando que só depois da abordagem os policiais decidiram vistoriá-lo. Para o professor Santana, a UEG precisa de ação urgente para a solução de problemas fundamentais. Parte de alunos e professores está em greve há 51 dias.

Segundo o coronel Paulo Inácio da Silva – subcomandante do Comando Regional de Anápolis – a abordagem foi realizada por iniciativa dos PMs em serviço por dever de ofício.