Caiado chega a Muquém de mãos vazias em sua primeira visita como governador, mas com muito ódio para destilar

Lá se vão quase nove meses de gestão e a única “política” que funciona é a do retrovisor e do ódio. Caiado vai à romaria de Muquém e quebra tradição ao não levar nenhum benefício para a comunidade, o que causou constrangimento. No primeiro ano de governo, Marconi Perillo se comprometeu – e entregou – a reforma da GO-237, que liga Niquelância ao distrito de Muquém, por exemplo.

Os oito primeiros meses do governador Ronaldo Caiado (DEM) são considerados como “ineficazes e improdutivos”. A análise aparece em pesquisas quali e quanti encomendas pelo próprio governo para análise de sua gestão. A visita, esta semana, à procissão do Muquém, em Niquelândia, releva bem esta análise. Senão vejamos: nenhuma obra e/ou benefício foi entregue – ou sequer anunciado –pelo governador na visita a Niquelândia.

O discurso de o estado estava endividado não cola mais, já que há dois meses Goiás não paga os R$ 150 milhões das prestações que deve aos cofres da União e a arrecadação bate recordes. Fatos que aliás, podem ser verificados junto à Secretaria da Economia e no Portal da Transparência.

Mesmo diante de seus 70 anos, prestes a serem completados em setembro próximo, com uma experiência de mais de 30 anos de vida pública e com a proximidade que gosta de exibir com o presidente Jair Bolsonaro (PSL), Caiado tem demonstrado falta de traquejo administrativo. A (falta de) governabilidade é outro fator que tem demonstrado que o governador terá dificuldade de cumprir minimamente o que prometera na campanha, em 2018. Os deputados de sua base de sustentação, que reclamavam do governo no cafezinho da Alego, agora o fazem às claras, engrossando a lista de ex-parceiros do governador.

Há 20 anos, o então governador Marconi Perillo (PSDB), com a metade da idade de Caiado, chegou ao poder. Seus parcos 35 anos de idade não impediram que, mesmo com pouquíssimos recursos em seu primeiro ano de mandato, se comprometesse a pavimentar a GO-237, rodovia que liga Niquelândia ao distrito de Muquém.

Em 15 de agosto de 1999 – com os mesmos oito meses de gestão – Marconi inaugurou a obra da GO-237, desejada por décadas pelos romeiros de Nossa Senhora D’Abadia do Muquém. Cabe lembrar que não se tratava de um compromisso fácil de cumprir. Com efeito, no início de 99, Perillo assumiu o governo com duas folhas e 13º em atraso.

*Municípios mais pobres são apenas mapeados por Caiado*

Chama atenção a uma informação postada no perfil pessoal de Caiado no Instagram, alusivo à visita a Muquém. “Nestes sete meses de governo já mapeamos as cidades com os mais baixos índices de desenvolvimento humano”, afirma o governador. O fato é que entre estes municípios  está um – Santa Terezinha – que foi administrado pelo secretário de Estado Marcos Ferreira Cabral, titular da Secretaria do Desenvolvimento Social.

Durante três mandatos (1997-2000; 2009-2012; 2016-2018) Marcos Ferreira Cabral administrou o município que, segundo a reportagem da Tv Anhanguera, está entre aqueles onde “há muitas crianças fora da escola, casas sem água encanada e sem esgoto e gente passando fome”.

Ao assumir sua Pasta no Governo de Goiás, Marcos Cabral, que gaba-se de uma amizade com Ronaldo Caiado de mais de 25 anos, ao invés de mostrar a que veio, passou semanas a criticar os programas sociais do PSDB gestados pela secretaria que ora assumiu.

Lá se vão quase nove meses de administração e, tanto Ronaldo Caiado quanto Marcos Cabral, ainda não explicaram por que Santa Terezinha de Goiás chegou a esse ponto de insolubilidade social e econômica, mesmo sendo Caiado o representante do município por décadas na Câmara e no Senado Federal.

Os goianos de Santa Terezinha e os demais 245 municípios aguardam, ansiosos, por uma administração séria e sem retóricas baratas.