Não seria hora de Paulo Garcia viajar para o Panamá, diz editorial da Rádio 730

Veja editorial da rádio 730 sobre o prefeito Paulo Garcia:

Se Paulo Garcia quisesse se aventurar a governador, viajaria para Panamá o município goiano, não o país do canal

O prefeito de Goiânia, Paulo Garcia, é tido como pré-candidato a governador. Seria, inclusive, o preferido de setores do PMDB, principalmente dos que desejam a retribuição do presente. Em 2010, Iris Rezende deixou a prefeitura para o então vice, Paulo Garcia, que é do PT e ganhou 33 meses de comando da Capital. Agora, a turma de mui amigos quer que Paulo saia da prefeitura e entregue Goiânia em definitivo para o vice, Agenor Mariano, que é do PMDB. Paulo permite a Agenor ser prefeito, mas apenas interinamente.

PT e PMDB têm em comum o apoio à presidente Dilma Rousseff e a oposição ao governador Marconi Perillo. Existia quadro semelhante na eleição anterior e o esquema deu errado. A militância petista não mexeu um músculo sequer para ajudar Iris a vencer Marconi. E os iristas não moveram uma palha para levar o petista Pedro Wilson ao Senado. Resultou em surra tripla: além das derrotas de Pedro e Iris, também o PMDBista Adib Elias, que dizia estar chegando ao Senado, até agora não chegou a lugar nenhum.

Apesar de mais novo e muito menos experiente na política, Paulo Garcia está driblando os caciques. Mostrou subserviência a Iris quando era conveniente e herdou a prefeitura. Manteve em público a admiração por Iris e, com a manobra, obteve o apoio dos vereadores do PMDB. Nos bastidores, Paulo finge que não é com ele quando falam em candidatura a governador. Prefere conhecer o mundo, coisa que Iris Rezende nunca fez. Paulo Garcia voou em menos de três anos mais que Iris em cinco décadas de mandato. Se estivesse interessado em disputar o governo, Paulo teria outra agenda. Visitaria o Estado, não o exterior. Iria para o Panamá, mas não o micropaís do canal e sim o município próximo a Goiatuba e Itumbiara.

Aliás, Paulo Garcia é anônimo em 245 das 246 cidades goianas. O que não quer dizer nada, pois ele não conhecia Goiânia e Goiânia não o conhecia e acabou reeleito no primeiro turno. Claro, o que facilitou a vitória de Paulo em 2012 foi a ausência de adversários à altura. É o mesmo que está ocorrendo com Marconi Perillo. Enquanto o PMDB bate cabeça e Paulo Garcia bate as asas, a oposição ficou mais perto de bater as botas do que de bater em Marconi. A situação já escolheu seus candidatos aos dois principais cargos, Marconi governador e Vilmar Rocha senador. A oposição não tem nome nem discurso.

O governador está montado no dinheiro, só fala em bilhão, é bilhão no caixa para refazer as rodovias, é bilhão para saneamento básico, é bilhão economizado por ter se livrado da Celg, é bilhão e bilhão e mais bilhão.

Os contrários a Marconi estão montados em encrencas, só falam em briga. É na trairagem na Assembleia. É rusga entre vereadores e deputados. É adesista louquinho para comer ambrosia e arrotar reclamação.

Paulo Garcia surge como o denominador comum. Iris confia mais nele que em seus colegas de PMDB. Paulo conseguiria reunir dinheiro para uma campanha cara. Inchou a prefeitura, agradando a correntes internas do PT, aos jovens deputados do PMDB carentes de cargos, aos pastores evangélicos. Enfim, se Paulo quisesse se aventurar, bastaria estalar os dedos. Ele não é idiota de largar a prefeitura sem cumprir nem um décimo das promessas e dar o cargo ao antigo inimigo, hoje aliado, dormindo juntos, mas com um olho aberto e o outro mais aberto ainda. PT e PMDB se dizem gêmeos xifópagos. Esquecem-se de que Goiás é referência internacional na separação de siameses.