quinta-feira , 23 abril 2026
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Bruno Peixoto rasga a Constituição ao defender o indefensável. Justificativa por lei inconstitucional acabou em opinião sem base legal

• Ato inconstitucional

A Assembleia Legislativa de Goiás enviou nesta terça-feira (21) ao Supremo Tribunal Federal um documento que deveria justificar a criação da lei que liberou o Instituto IFAG para gerir R$ 3 bilhões da Taxa do Agro — sem licitação.

O texto, no entanto, transforma a tentativa de explicação em um insulto à Constituição. A matéria sobre licitação é de competência da União. O governo Caiado jamais poderia legislar sobre o tema, e muito menos criar um atalho para burlar o controle público.

• Farsa institucional

A lei, fabricada sob medida para atender aliados do governador Ronaldo Caiado, foi aprovada pela base governista na Assembleia, sem debate técnico e sem transparência.

O IFAG, presidido por um ex-servidor comissionado do governo, virou instrumento de concentração de poder e escoamento de recursos públicos. O STF já havia barrado o esquema, mas a Assembleia insiste em defender o indefensável.

• Desenvolvimento ou maracutaia?

O presidente Bruno Peixoto (UB), ao afirmar que as normas são “legítimas para o desenvolvimento econômico do Estado”, mostra que ignora o básico: desenvolvimento se faz com transparência, igualdade de concorrência e licitação — não com maracutaias travestidas de inovação.

O que há é um desvio de finalidade e uma afronta direta à Constituição. Se o STF liberar esse descontrole, o Brasil inteiro vai entrar na onda da corrupção, tendo como base a decisão. Este é um assunto muito sério.

O que o STF exigiu foi uma justificativa legal, e o que recebeu foi uma opinião política de um presidente que se esqueceu de que não é advogado de defesa do governador, mas representante do povo. Goiás exige respostas — não discursos decorados para encobrir um escândalo.