No Governo Alcides, Goiás foi o 4º Estado do país em gastos com publicidade. E ele agora critica Marconi

Em um discurso que vai entrar para a história, mas pela porta dos fundos, o ex-governador Alcides Rodrigues despejou nesta terça-feira, no diretório do PSB, uma avalanche de críticas ao governador Marconi Perillo em razão de gastos com publicidade.

Olha o que Alcides disse: “Apenas com recursos do Estado, fiz mais que o dobro de asfalto do que fizeram neste governo. O que não fiz foi gastar recursos vultosos e injustificáveis com publicidade.”

Duas mentiras: primeiro, não fez asfalto nenhum e, segundo, gastou, sim, uma fábula de dinheiro com publicidade.

E tanto que a Folha de S. Paulo fez um levantamento, em maio de 2010, e apontou Goiás como o quarto Estado que mais gastava com propaganda. Só em 2009, segundo a Folha, Alcides torrou R$ 110 milhões com a divulgação de um Governo, o seu, que não tinha nada para mostrar.

No ano de 2010, o último do seu mandato, Alcides gastou mais R$ 140 milhões, uma farra que gerou uma série de processos movidos pelo Ministério Público, inclusive sobre uma cartilha do Detran, fabricada nos últimos dias de dezembro, repleta de erros de português e de orientação de trânsito – que já motivou uma citação aos responsáveis para que devolvam os quase R$ 3 milhões irregularmente pelo material.

O mais grave foi que, em dezembro, Alcides deixou de pagar mais da metade da folha do funcionalismo, desviando o dinheiro para quitar dívidas com empreiteiras e cerca de R$ 40 milhões em faturas de agências de publicidade.

Mesmo com toda essa gastança, Alcides concluiu o seu Governo com a pior taxa de aprovação jamais alcançada por um governador, duplamente derrotado nas eleições (apoiou Vanderlan Cardoso no primeiro turno e Iris Rezende no segundo), tendo abandonado o Palácio das Esmeraldas antes da data da posse do novo governador, para não entregar dignamente o cargo ao seu sucessor.

Fugiu.

E vale lembrar: parte das campanhas publicitárias foi embargada pela Justiça, na época, por infringir a legislação que proíbe a personalização da comunicação governamental.