quarta-feira , 20 maio 2026
Goiânia

O carrasco voltou: mixaria paga por Iris para refeições obriga servidores a fazerem vaquinha na hora do café

Reportagem publicada no site do jornal Opção

Os funcionários da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) da prefeitura de Goiânia que atendem turnos de plantão em unidades de saúde 24 horas vivem um drama que já se arrasta há meses. Além da estrutura precária e a dificuldade diária de atender à grande demanda de pacientes, os servidores têm que tirar do próprio bolso para se alimentar.

Para um plantão de 12 horas, período em que o recomendável seria fazer três refeições, os trabalhadores recebem apenas R$7,50, o que mal dá para o “cafezinho”. No Cais Chácara do Governador, por exemplo, os funcionários teriam que complementar a verba para poder comprar um marmitex de R$ 10,00 no restaurante em frente, o mais barato da região.

O auxílio fornecido pela prefeitura, além de não ter sido reajustado há mais de um ano, daria talvez para comprar uma porção de pão de queijo e um café na lanchonete ao lado, longe de ser uma refeição completa ou nutritiva.

“Temos que fazer um verdadeiro jogo de cintura. A gente faz vaquinha para comprar o gás, os ingredientes para fazer o almoço e até o café. Uma colega se disponibiliza para fazer a comida e a gente vai se virando”, conta ao Jornal Opção uma técnica de enfermagem que não quis se identificar.

Recebem o valor de R$ 7,50 enfermeiros, técnicos em enfermagem, farmacêuticos, funcionários que trabalham na linha de serviço de urgência e emergência, odontólogos, funcionários da recepção, administrativos e todos que trabalham em regime de plantão.

Com 10 plantões ao mês e um cartão aceito em poucos estabelecimentos, na prática, o que os funcionários fazem é esperar acumular dois ou três meses do benefício para então irem a uma das redes de supermercados que aceitam a bandeira do vale alimentação. “Se não fizermos assim, não compensa nem o gasto de ir a um desses locais. O cartão só é aceito em lugares bastante caros, então o dinheiro de um mês não dá para quase nada”, disse Max Nascimento, servidor da Saúde e representante da categoria no Sindicato dos Trabalhadores do município de Goiânia (SindiGoiânia).

O sistema entrou em vigor no início de 2016 e desde então o valor não foi reajustado. “Antes do cartão era uma comida muito ruim, uma ‘lavagem’ mesmo. Era preferível não ter. Com a implantação do sistema de vale alimentação, pensamos que seria um avanço, mas não foi”, afirmou Max.

REAJUSTE
A Secretaria Municipal de Saúde, em resposta ao Jornal Opção, reconheceu que o valor é insuficiente e afirma, por meio de nota encaminhada via assessoria de imprensa, que trabalha para que o valor chegue a pelo menos R$ 15,90, a exemplo de outras categorias dentro do funcionalismo público municipal.

A gestão atual justifica que tanto o contrato com a empresa como o valor do auxílio foram determinações da gestão anterior e que, por uma limitação contratual, poderiam conceder reajuste de no máximo 25%, o que seria o equivalente a R$ 9,36.

Segundo a presidente Sindicato dos Trabalhadores do Sistema Único de Saúde no Estado de Goiás (Sindisaúde GO), Flaviana Alves, a questão é ponto de pauta entre servidores e SMS desde o início da nova gestão, mas o problema ainda não foi resolvido.

“Além do valor baixo, às vezes ocorrem atraso no repasse. Entendemos que no contrato com a empresa, a prefeitura acaba gastando mais quando poderia fazer o depósito direto na folha, a exemplo do que é feito com outras categorias”, explicou, citando os servidores da Guarda Civil Metropolitana, que também fazem plantão.

De acordo com nota da assessoria, a secretária Fátima Mrué cogita sim pagar o benefício diretamente na folha e informa que a questão foi submetida à análise jurídica financeira. “O lançamento em folha não pode ser decidido unilateralmente pela SMS”, justifica.

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