“O velho está morrendo”: público jovem não lê mais jornais impressos

“O velho está morrendo e o novo apenas acaba de nascer. Nesse interregno, uma grande variedade de sintomas mórbidos aparece”. A frase é do filósofo italiano Antonio Gramsci e define com maestria a situação da mídia impressa no Brasil e no mundo: rumo ao caminho da extinção a partir da expansão cada vez maior das mídias digitais geradas pela internet.

Hoje, jornais e revistas morrem aos montões a cada dia. Basta uma visita ao site Newspaper Death Watch, que publica diariamente uma relação de veículos de comunicação impressos cuja circulação é encerrada, em todo o mundo.

No Brasil, seis grandes jornais fecharam as portas em 2012. Na Espanha, de 2008 para cá, mais de 300, inclusive revistas. Nos Estados Unidos, são dezenas. E assim por diante: na Inglaterra, na Índia, em toda parte.

O New York Times, maior marca de mídia impressa do planeta, perdeu 50% de sua circulação paga nos últimos cinco anos. O Clarín, jornal argentino, o maior da América Latina, não tem mais um assinante sequer.

O Boston Globe, a propósito, comprado pelo Grupo NYT há 16 anos por US$ 1 bilhão, está à venda nesta semana por US$ 12 milhões.

E um dado relevante do site Newspaper Death Watch: nos Estados Unidos, apenas 6% das pessoas na faixa dos 20 e 16% de 40 anos de idade regularmente ler jornais, em comparação a 48% das pessoas acima de 65 anos. Ou seja, o público jovem não se interessa por veículos de imprensa em papel.

A migração para o meio digital parece ser a saída inevitável para os jornais e revistas, que hoje vivem um incontrolável processo de desgaste ao noticiar hoje fatos que aconteceram ontem e já são do conhecimento de maioria esmagadora dos leitores, seja via internet, seja via televisão tradicional.