segunda-feira , 9 março 2026
Goiânia

Jornal Opção: Mrué dá sinais de que não se sustentará no cargo

A secretária municipal de Saúde, Fátima Mrué, começa a dar sinais de que não se sustentará no cargo por muito tempo. É o que diz reportagem publicada no Jornal Opção neste sábado.

Veja o texto:

Após dura reunião na Comissão Especial de Inquérito que investiga o caos na rede pública de Goiânia, a auxiliar reclamou (e muito) ao prefeito Iris Rezende (MDB) do tratamento dado pelos integrantes da CEI.

Mrué chegou por volta das 13h30 bastante abatida na frente de serviço da prefeitura, no Setor Criméia Leste, e contou a alguns aliados que se surpreendeu, pois até Felisberto Tavares (PR), que é ex-secretário e da base irista, a criticou duramente.

O parlamentar chegou a pedir para que ela “voltasse à realidade” e a desafiou a visitar unidades de Saúde para comprovar as supostas “melhorias” que tanto alega ter promovido.

De fato, a oitiva da manhã desta sexta-feira (9/3) foi, sem dúvidas, a mais pesada desde a instalação da CEI. O presidente, Clécio Alves (MDB), foi contundente nas colocações, denúncias e cobranças. Dra. Cristina (PSDB), Jorge Kajuru (PRP) e Elias Vaz (PSB) também não deram trégua.

Desmontaram todas as explicações dadas pela secretária e a colocaram em diversas saias-justas. Acuada, Fátima Mrué se viu obrigada a bancar a vítima.

“Acho que de alguma forma incomodo a vocês, de alguma forma vocês não gostam da minha presença na secretaria, não sei o motivo e lamento muito que isso seja dessa forma. Para mim, vocês são um grupo importante. Em nenhum momento revidei a hostilidade, fui agressiva, apesar de ter sido recebida dessa forma”, disse.

Fontes revelaram ao Jornal Opção que Iris ainda tinha agenda de atendimentos no período da tarde durante a frente de serviços, mas cancelou todos e foi embora junto à secretária da Saúde para discutir a situação.

Nos bastidores, a queda de Fátima Mrué começa a ser vista como inevitável — antes era tida como remota. Não porque o prefeito queira, longe disso, mas não parece haver maneira de contornar o flanco de guerra instalado entre vereadores e a Secretaria da Saúde.

Desafiada tanto por Clécio, quanto por Felisberto, a auxiliar negou que deixaria a pasta. “Não pretendo renunciar, tenho compromisso e nós temos o mesmo objetivo. Está muito longe de estar tudo bem, é verdade […] Mas não pretendo disputar desafios, vou manter meu compromisso com o povo que precisa de alguém para defendê-los”, disse à CEI.

Um aliado de primeira hora do Paço reconheceu que a situação está insustentável. “Se Iris não tomar uma providência, mais cedo ou mais tarde, e digo que está bem próximo, a população começará a culpá-lo pelo desastre na Saúde”, alertou.

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