No desespero, Wilder oferece mundos e fundos para levar deputados ao PP

Jatinhos, helicópteros, estrutura de campanha e tudo mais que o dinheiro puder comprar: é desta forma que o senador Wilder Morais trabalha, nas últimas semanas, para convencer deputados federais e estaduais a se filiarem no Progressistas (antigo PP).

O objetivo do senador não é o fortalecimento do partido em si, mas demonstrar ao presidente nacional da legenda, Ciro Nogueira (PI), que tem prestígio político suficiente para seguir à frente do Progressistas em Goiás.

A permanência de Wilder como comandante-em-chefe do partido está ameaçada por uma série motivos. Primeiro, porque ele não se preocupou em contornar arestas com o deputado federal Roberto Balestra, que há anos o acusa de impor decisões goela abaixo no partido sem ouvir as bases, ou seja: prefeitos e vereadores.

Segundo, porque ele deseja jogar o PP no colo do candidato a governador Daniel Vilela (MDB) só para satisfazer o seu projeto pessoal de disputar a reeleição, contrariando a vontade de todo o resto do partido, que é de marchar com o vice-governador José Eliton (PSDB).

Terceiro – e este é o motivo mais importante – porque na semana passada o PP recebeu a filiação de Alexandre Baldy, ministro das Cidades e nome mais promissor da nova geração de políticos de Goiás. É muito forte a pressão de prefeitos e dos atuais deputados (Balestra e Sandes Júnior) para que a presidência do partido seja entregue a Baldy, frustrando assim os planos de Wilder de colocar o PP da coligação do MDB.

Para reverter um desfecho que parece irreversível, Wilder está disposto a abrir os cofres de uma maneira que nunca fez antes. Ainda que a lei proíba a doação de empresas a campanhas eleitorais (restringindo o financiamento ao fundo público), ele teria dito a deputados que a sua estrutura pode tornar mais viável a reeleição de qualquer parlamentar em Goiás.

Por ora, o senador não convenceu ninguém. Mas o jogo está sendo jogado.