Na entrevista com Gracinha, Popular abre mão da crítica jornalística, trata primeira-dama com condescendência e proprietária do Palácio das Esmeraldas

“Uma leoa no poder”. O título da entrevista de duas páginas que o jornal O Popular traz em sua edição dominical é o aviso de que as duas páginas de falatório da primeira-dama Gracinha Caiado nada mais são do que uma constrangedora puxação de saco nunca antes promovida.

Na capa (meia página), na edição (foto, títulos e apresentação) e no texto (condescendente), Gracinha é promovida de inquilina a proprietária do Palácio das Esmeraldas, como se predestinada fora a ocupar com o marido, Ronaldo Caiado, os salões, as poltronas macias e os aposentos da Casa Verde.

A julgar pelo título, é Gracinha quem entrevista: “O que você chama de poder?”, pergunta ela ao repórter, o brilhante Rogério Borges, mas ao fim e ao cabo, um empregado da família Câmara. O título da capa, por sua vez, é uma autodefinição. Não é o jornal que define a primeira-dama como leoa, mas ela mesma.

Ao final da leitura, a sensação é de constrangimento: com a visão de mundo da primeira-dama, mas principalmente com a forma solene com que o Popular decidiu tão somente reproduzir o sinistro discurso de Gracinha.