Donald Trump jogou uma bomba no colo da direita brasileira. Pela primeira vez, o presidente dos Estados Unidos elogiou Luiz Inácio Lula da Silva.
Disse que “rolou química”, que gostou do brasileiro, que Lula parece “um cara legal”. Um choque absoluto para o bolsonarismo, acostumado a tratar Trump como patrimônio pessoal da família Bolsonaro.
Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo se dedicaram nos últimos meses a contaminar as informações que chegavam aos ouvidos de Trump sobre o Brasil.
Vendiam uma versão política feita sob medida para os interesses da extrema direita brasileira: Lula seria um inimigo da liberdade, Bolsonaro a última barreira contra o comunismo, e Trump o aliado eterno do clã. A cena na ONU mostrou que esse castelo de areia desmoronou em segundos.
Trump, que antes se posicionava sem conhecer Lula, repetindo o discurso bolsonarista, agora se encantou ao primeiro contato. Foram 39 segundos de conversa, um abraço rápido e, nas palavras dele, uma ótima química.
A frase soou como uma pancada em Eduardo, Paulo e em toda a extrema direita. O mito da ligação automática entre Trump e Bolsonaro se esfarelou no palco mais visível do mundo.
Mas é preciso cautela. A esquerda não deve se iludir nem celebrar como se tivesse conquistado um aliado. Donald Trump é como o bumbum de neném: dali pode sair qualquer coisa. Inclusive uma guinada radical, capaz de transformar elogio em humilhação, como já fez com outros líderes, a exemplo do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky.
Cristiano Silva
Editor

















