• Tomou estádio dos goianos
A pergunta soa quase como ironia. Ronaldo Caiado se elegeu prometendo “devolver Goiás aos goianos”, mas construiu um governo marcado pela entrega do patrimônio público.
O Estádio Serra Dourada não é símbolo: é um exemplo claro desse modelo, em que bens do povo são transferidos para a iniciativa privada sob argumentos técnicos, mas com prejuízo evidente ao interesse coletivo.
• Negócio questionável
O Serra Dourada foi concedido por 35 anos à empresa Construcap por apenas R$ 10 milhões, um valor considerado ínfimo diante da importância econômica e estrutural do estádio. Antes da concessão, o governo investiu R$ 15 milhões em iluminação de LED, exigência das entidades esportivas ligadas às transmissões em Full HD. Ou seja: o Estado modernizou, bancou a obra e depois entregou o estádio praticamente pronto.
• Quem ganhou?
A Construcap, que assumiu o estádio, foi alvo da Operação Abismo, da Lava Jato, em 2016, com prisão de seus controladores, Eduardo e Roberto Capobianco, e, em 2018, condenação por corrupção ativa, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Mesmo assim, ficou responsável por administrar o principal estádio de Goiás.
• Futebol inviável
Hoje, os clubes goianos não conseguem pagar o valor do aluguel cobrado. Na prática, não é mais viável realizar clássicos como Vila Nova x Atlético-GO no Serra Dourada. Se o maior jogo do futebol local não fecha a conta, o estádio deixa de cumprir sua função social.
O que era espaço do povo virou negócio restrito, acessível apenas quando grandes clubes de fora garantem público e lucro. O torcedor goiano perdeu o direito de viver o futebol no seu maior palco, e as novas gerações dificilmente terão as mesmas memórias.

















