terça-feira , 23 junho 2026
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O crime veste terno, usa escritório e ocupa gabinetes — subir o morro e matar “neguinho” não é atingir o núcleo da facção

• O Crime é organizado, mais do que o Estado

O crime organizado deixou há muito tempo o espaço exclusivo das favelas. Essa ideia romântica dos folhetins policiais não correspondem com a verdade.

Hoje criminosos circulam em gabinetes, escritórios de advocacia e em setores do próprio Estado.

Negar o “crime raiz” na comunidade é erro; é claro que na favela tem bandido, mas também tem trabalhadores: empregadas domésticas dos ricos, babás, porteiros, motoristas e até policiais.

É grave fechar os olhos para as ramificações do crime organizado, que mora em condomínios fechados e reside nas esferas políticas e econômicas e até jurídicas.

• Picadeiro de sangue

Transformar a segurança pública em espetáculo — subir o morro, invadir e matar preto, pobre e alguns pebas — não desmonta redes.

A brutalidade pode silenciar corpos, mas não corta estruturas: execução em massa e exposição midiática não equivalem a desmonte da facção nem representam estratégia.

• Crime Organizado veste terno

O problema hoje é essencialmente econômico e institucional: postos que lavam dinheiro, empresas que recebem incentivos e rendas que bancam violência.

Casos recentes de investigações envolvendo usinas e benefícios fiscais mostram que, enquanto se mata no morro, parte do problema segue rendendo em salas com ar-condicionado.

Que o diga o governo Caiado, que concedeu R$ 265 milhões em benefícios fiscais para uma usina investigada pela Polícia Federal por ter laços com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

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