Renato Monteiro é um dos coveiros de Paulo Garcia. Fez a propaganda da prefeitura e escondeu prefeito da campanha de Adriana Accorsi

O publicitário Renato Monteiro, dono da agência Cantagalo, é um dos principais responsáveis pela prematura morte política do prefeito de Goiânia, Paulo Garcia (PT). Apesar de sair da atual administração com os bolsos cheios, Renato causou danos irreversíveis à imagem de Paulo. É um dos – senão o principal – coveiros do petista.

A conclusão não é do blog, mas do próprio Paulo, que em reiteradas entrevistas diz que a sua administração foi pródiga em obras e realizações, mas falha em comunicação. A Cantagalo não só foi a agência que mais faturou na era Paulo como também indicou o atual secretário de Comunicação, Edmilson Santos. Ou seja: se há um culpado pelos ruídos no diálogo entre prefeito e população, o nome dele é Renato Monteiro.

Renato é frequentemente descrito como um publicitário que viaja na maionese. Colegas de mercado, que optam por eufemismos para não ofendê-lo, costumam afirmar que as peças dele são “autorais em excesso”. Assim foi com a panacéia da “cidade sustentável”, um mote de campanha descolado da realidade que até atendeu ao objetivo imediato de eleger o candidato, em 2012, mas que hoje catalisa o desapontamento do eleitor que pensou que Paulo era, de fato, um político diferente dos outros.

Coube a Renato Monteiro, nos últimos quatro anos, definir as linhas do discurso de Paulo Garcia – garoto-propaganda da atual administração. Em vez de coibir o jeitão arrogante do seu cliente, Renato o exacerbou. Virou rotina assistir o prefeito na TV ironizando adversários ou qualquer um nas ruas que o questionasse. O João Santana de bermudas deixou que Paulo Garcia se encastelasse na sua empáfia – e lá morou nos últimos quatro anos.

O ato final deste coveiro travestido de publicitário foi esconder Paulo na campanha de Adriana Accorsi (PT) à prefeitura. Esta decisão equivocada não só mostrou ao eleitor que o PT tinha vergonha do seu rebento, como também foi uma confissão de que ele falhou na proposta de construir um projeto político longevo ao lado do cliente e de que Adriana era uma candidata sem identidade, perdida no debate político-eleitoral.

Renato deixará a prefeitura pelas portas dos fundos, mas sabe de uma coisa? Pouco importa para ele. Afinal de contas, só neste ano ele recebeu R$ 10 milhões. Vai descansar sossegado.