Secretário de Iris culpa servidores pelo déficit na prefeitura e anuncia perseguição à categoria e aposentados

O tom belicoso do discurso do secretário de Finanças de Goiânia, Alessandro Melo, que disse nesta segunda-feira que a prefeitura espera resolver o seu problema de caixa com uma meticulosa auditoria na folha salarial, deixou claro, para quem ainda duvidava, que o prefeito Iris Rezende (PMDB) escolheu como culpado pela crise financeira do município o servidor público.

Alessandro afirmou que há suspeitas de irregularidades no pagamento de gratificações no município e tratou da questão, na coletiva, como se ela fosse o problema central no desequilíbrio das contas públicas – e não as ações irresponsáveis que o Executivo autoriza com frequência para atender interesses políticos e pessoais.

Iris passou os últimos 34 anos tentando se desfazer da pecha de carrasco do funcionalismo público, que a ele foi atribuída com justiça depois do decreto que pôs mais de 10 mil servidores na rua de uma vez só, na época em que ele era governador.

No entanto, a negativa em conceder a data-base de 2017 – que é direito adquirido – somada às afirmações desta segunda-feira do secretário mostram que Iris continua a associar o funcionalismo à carne podre que não adianta salgar.

Tem mais: além de colocar a data-base na gaveta e sugerir que os problemas da cidade serão resolvidos com uma auditoria na folha de pagamentos, Iris também adicionou ao seu pacote de maldades uma dura proposta de reforma da Previdência, que elevará a patamares escorchantes a contribuição obrigatória dos contribuintes.

Alessandro Melo disse que o déficit da previdência em Goiânia já alcançou quase R$ 197 milhões e avisou que o prejuízo terá de ser distribuído entre todos.

Já não é de hoje que a categoria sente saudades do finado Paulo Garcia (PT). A turma sente que era feliz e não sabia.